Águas de Lindóia, no interior de São Paulo, tem altitude média de 945 metros e um balneário inaugurado em 1959. O atual Balneário Municipal nasceu de um projeto do arquiteto Oswaldo Bratke, com paisagismo de Burle Marx e murais de Lívio Abramo. Os jardins e as fontes fazem parte do conjunto.
Esse prédio de 1959 não é o que Marie Curie viu ao visitar as águas da região em 1926. O centenário da visita é celebrado pelo município em 2026, e a cidade tem hoje uma estátua, uma alameda e uma fonte com o nome da cientista.
O que ver no Balneário de Águas de Lindóia
O edifício é obra do arquiteto Oswaldo Bratke. A obra começou em 1954, em estrutura de concreto, e o Balneário foi inaugurado em 1º de novembro de 1959. Em novembro de 2026, o Balneário Municipal completa 67 anos. A arquitetura é modernista, com um telhado longo sobre um prédio amarelo cercado por mata.

O paisagismo é de Burle Marx, e os jardins acompanham o prédio no projeto de 1959. Os murais são de Lívio Abramo. O Condephaat, órgão estadual de patrimônio, tombou o Balneário em 2018, pelo decreto SC-27, de 27 de março. Segundo o portal iPatrimônio, o conjunto reflete o plano de ação do governo Carvalho Pinto, que buscava aliar funcionalidade, integração com a natureza e artes plásticas. Antes disso, o Balneário passou para o Governo do Estado na década de 1940, e a origem das águas terapêuticas da região está no médico italiano Francisco Tozzi.
Fontes Santa Filomena e São Roque e a fonte Marie Curie
No Balneário ficam as fontes Santa Filomena e São Roque e uma terceira, chamada Marie Curie, que leva o nome da cientista que passou pela região em 1926. Águas de Lindóia já foi distrito de Serra Negra, a partir de 1934, e virou município pela lei estadual 2.456, de 30 de dezembro de 1953. A cidade divide a vocação com a vizinha Serra Negra, outra cidade de águas do interior paulista. Águas de Lindóia se apresenta como a Capital Termal do Brasil, segundo o guia Turismo Paulista.
Radônio é um gás nobre radioativo, formado pelo decaimento do rádio e antes chamado “emanação do rádio”.
Estátua, alameda e exposição: como a cidade lembra Marie Curie
Em 19 de maio de 2024, a cidade inaugurou a estátua de Marie Curie e a placa da Alameda Marie Curie. A exposição “Marie Curie esteve aqui” foi aberta no mesmo dia. A estátua e a alameda continuam na cidade e levam o nome da cientista.
Em 2026, o município celebra o centenário da visita, feita em agosto de 1926. A programação passou pelo Balneário Municipal: em 14 e 15 de agosto teve cinema gratuito com o filme “Radioactive”, de 2019, sobre a vida da cientista, e em 15 e 16 de agosto, o Festival do Café Especial do Circuito das Águas. Uma exposição do projeto Meninas e Mulheres na Ciência, da Universidade Federal do Paraná, mostrou ali imagens da passagem de Marie Curie pelo Brasil. Em julho, de 3 a 26, o Festival de Inverno gratuito levou shows, teatro e humor a pontos como o Balneário e o Cristo, com a peça “Luzes nas Águas”, sobre a visita da cientista, em 16 de julho. A lembrança também chegou ao Rio de Janeiro: em julho de 2026, cerca de 50 cientistas refizeram, no Pão de Açúcar, a foto de Marie Curie de 1926. A cena da homenagem foi no Rio, e não em Águas de Lindóia.
Cristo Redentor e Morro Pelado, os mirantes da cidade
Além do Balneário, Águas de Lindóia tem dois mirantes muito citados nos guias de turismo. O Cristo Redentor fica no Morro do Cruzeiro, na região central, a cerca de 1.200 metros de altitude, com vista panorâmica do município.
O Morro Pelado, na divisa com Minas Gerais, é o ponto mais alto da cidade, com mais de 1.400 metros, segundo os guias, e é apontado como um bom lugar para ver o pôr do sol. Fontes oficiais divergem sobre o número exato: o guia estadual Turismo Paulista fala em 1.480 metros.
O ponto mais alto de Águas de Lindóia, o Morro Pelado, tem mais de 1.400 metros e fica na divisa com Minas Gerais.
O que Marie Curie visitou nas águas de Lindóia em 1926
Marie Curie esteve no Brasil de 15 de julho a 28 de agosto de 1926, com a filha Irène, que também ganharia o Nobel de Química, em 1935, ao lado do marido, Frédéric Joliot. Ela já tinha dois prêmios Nobel, o de Física, em 1903, e o de Química, em 1911. A viagem foi a convite do Instituto Franco-Brasileiro de Alta Cultura, e em agosto ela visitou as águas de Lindóia, interessada na radioatividade natural.

O destino eram as Thermas de Lindoya, criadas em 1909 pelo médico italiano Francisco Tozzi, nascido em 1870 em Benevento, na Itália, e chegado a Socorro, no interior paulista, em 1900. Segundo o Conselho Regional de Química de SP, em 14 de agosto de 1926 ela saiu da Estação da Luz de trem até Mogi Mirim e seguiu de carro. Outra parada ferroviária paulista é a estação de Guararema.
Quando Marie Curie chegou, em 1926, o lugar ainda não era município.
Cerca de 20 acompanhantes de sociedades científicas paulistas a acompanharam, ainda segundo o conselho. Ela examinou hotéis, pavilhões de banho, o engarrafamento de água, as fontes Santa Filomena e São Roque e salões de emanação. O relato diz que teria considerado as águas fortemente radioativas.
Um lugar real: jardins, fontes e uma estátua de Marie Curie
Cem anos depois, o que a cidade mostra é o balneário de 1959 e as homenagens a Marie Curie, não o cenário de 1926.
O Balneário Municipal está de pé, com os jardins de Burle Marx e as fontes Santa Filomena, São Roque e Marie Curie. A estátua de Marie Curie e a Alameda Marie Curie também existem e podem ser vistas na cidade, no interior paulista.

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