Cássia dos Coqueiros tem cachoeira de 84 metros com trilha de cordas e mirante com vista para Minas

Cachoeira do Itambé, em Cássia dos Coqueiros, caindo fina e alta de um paredão de pedra escura cercado de mata
A Cachoeira do Itambé, com 84 metros de queda. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Com menos de 3 mil moradores, Cássia dos Coqueiros é conhecida na região como a Cidade das Cachoeiras. A cidadezinha fica perto de Ribeirão Preto, quase na divisa com Minas Gerais, e a estrela da viagem é uma queda de 84 metros que despenca de um paredão de pedra no meio de um vale de mata fechada.

Para chegar ao pé dela, o visitante desce uma trilha íngreme segurando em cordas. Lá em cima, na serra, um mirante a mais de 1.200 metros de altitude mostra o vale inteiro e as montanhas do lado mineiro.

A Cachoeira do Itambé, em Cássia dos Coqueiros

A Cachoeira do Itambé é o cartão-postal de Cássia dos Coqueiros. Ela fica na divisa com Mococa, a cerca de 3 quilômetros da cidade, numa estrada asfaltada que termina num pequeno trecho de terra. A água cai fina e alta de um paredão escuro, cercado por um vale de mata nativa, e lá embaixo forma uma piscina natural com fundo de pedrinhas e areia.

A cachoeira fica em propriedade particular, e a entrada é pelo Camping do Zé Manso, que cobra uma taxa de visitação. No alto há estacionamento, churrasqueiras e um bar, e quem quiser pode acampar. Pelo perfil oficial, o local abre aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 18h. Vale conferir antes de pegar a estrada.

A Cachoeira do Itambé, em Cássia dos Coqueiros, cai 84 metros num vale de mata nativa.

Não confunda com a Cachoeira do Itambé de Altinópolis, outra cidade da região, que tem o mesmo nome e também cai de um paredão.

A trilha de cordas

O caminho até o pé da queda é curto, mas exige disposição. São cerca de 100 metros de descida íngreme, sem escada, com cordas presas ao longo do trajeto que servem de corrimão. O percurso leva em média meia hora, e a volta, subindo, é a parte mais cansativa.

Use tênis com boa aderência, deixe as mãos livres e evite descer depois de chuva forte, quando a terra fica escorregadia. A cachoeira também é usada para a prática de rapel.

Mirante das Areias e a vista para Minas

No ponto mais alto da serra, a mais de 1.200 metros de altitude, o Mirante das Areias tem uma vista panorâmica do vale do Rio Itambé, com pastos, morros e cidades paulistas e mineiras até o horizonte. Há bancos de madeira para sentar e esperar o pôr do sol.

Banco de madeira no alto do Mirante das Areias, em Cássia dos Coqueiros, com vista para um vale de pastos e morros até o horizonte
A vista do Mirante das Areias. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O mirante também é usado para voo livre. As rampas de grama ficam a cerca de 4 quilômetros do centro, na estrada que segue para Monte Santo de Minas, e recebem pilotos de parapente e asa-delta. Para quem só quer passear, há trilhas ecológicas pela serra.

Toca da Onça

Perto do mirante, a Toca da Onça é uma pequena caverna de rocha alaranjada, de acesso fácil, que está entre os passeios mais procurados de Cássia dos Coqueiros. A abertura é baixa, e lá de cima se vê boa parte do município.

Abertura baixa de uma pequena caverna de rocha alaranjada, a Toca da Onça
A Toca da Onça, no alto da serra. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Cachoeira do Cubatão e outras quedas de Cássia dos Coqueiros

Logo na chegada, a 200 metros da entrada da cidade, a Cachoeira do Cubatão é a mais fácil de visitar. A queda tem cerca de 6 metros e corre sobre lajes de pedra avermelhada, formando poços entre as rochas.

Água correndo sobre lajes de pedra avermelhada na Cachoeira do Cubatão, em Cássia dos Coqueiros, com mata ao fundo
A Cachoeira do Cubatão, perto da entrada da cidade. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada

O Rio Cubatão atravessa a região e tem trechos de margem com areia e sombra. Dentro da cidade, uma trilha curta rio abaixo leva ao Salto do Meio, conhecido como a cachoeira da cidade, numa área arborizada com lixeiras e brinquedos para crianças.

Margem de areia do Rio Cubatão com quiosque de sapê e bancos de madeira à sombra das árvores
Margem do Rio Cubatão. Foto: LBM1948, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Ao todo, o município tem cerca de 20 cachoeiras, mas a maioria fica em propriedades particulares, longe do centro. Antes de procurar as outras, informe-se na prefeitura sobre quais estão abertas a visitantes.

Santa Rita, a padroeira

O nome da cidade junta a padroeira, Santa Rita de Cássia, aos coqueiros nativos que existiam na região. A paróquia foi criada em 1898, e o município, em 1958. Quem chega pela estrada passa por um portal com a imagem da santa.

Portal amarelo com a imagem de Santa Rita de Cássia na entrada da cidade, com palmeira e flores roxas em primeiro plano
O portal de Santa Rita na entrada da cidade. Foto: expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A festa mais importante é a de Santa Rita, em 22 de maio, com romaria saindo de Cajuru, crianças vestidas de anjo e fiéis descalços na procissão. A cidade também mantém Folias de Reis, catira, cavalhada e, na Quaresma, o canto para as almas, quando grupos percorrem as ruas à noite cantando e tocando matracas.

Dicas para visitar Cássia dos Coqueiros

Cássia dos Coqueiros fica a mais de 350 quilômetros de São Paulo e é vizinha de Cajuru, Mococa e Monte Santo de Minas. A cidade faz parte do Circuito Café com Leite, junto com Cajuru, Mococa e Tapiratiba, e dá para combinar a viagem com Ribeirão Preto.

As cachoeiras ficam mais cheias entre novembro e março, mas as trilhas ficam mais seguras nos dias secos. Leve tênis, roupa de banho, repelente e água. A cidade é pequena e a estrutura é simples, com poucas opções de hospedagem, então reserve com antecedência nos feriados.

Uma queda de 84 metros, uma descida de cordas e um banco de madeira de frente para Minas: Cássia dos Coqueiros cabe num fim de semana e fica na memória por muito mais tempo.

Você encararia a trilha de cordas até o pé do Itambé?

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.