São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, é uma cidade pequena de casarões coloridos, conhecida pelo carnaval de marchinhas e pela Festa do Divino. Em janeiro de 2010, uma enchente do rio Paraitinga destruiu a igreja matriz e parte do centro histórico. A cidade se reergueu, a matriz foi reconstruída e reaberta em 2014, e hoje o centro voltou a receber turistas o ano todo.
Além das festas, a cidade é porta de entrada para trilhas e cachoeiras da Mata Atlântica no Parque Estadual da Serra do Mar e para descidas de rafting.

A enchente de 2010 e a reconstrução de São Luiz do Paraitinga
A cheia do rio Paraitinga, no começo de 2010, danificou mais de 300 casas e deixou mais de 9 mil moradores desalojados. Além da Igreja Matriz de São Luís de Tolosa, desabaram a Capela das Mercês e o prédio da biblioteca.
A reconstrução da matriz levou quatro anos e custou cerca de R$ 17 milhões, bancados pelo governo do estado em parceria com a Diocese de Taubaté. A igreja foi reaberta em maio de 2014, e parte das ruínas das paredes de taipa de pilão foi mantida para mostrar como era a construção original.
A Igreja Matriz de São Luiz do Paraitinga desabou na enchente de 2010 e foi reaberta em 2014, depois de quatro anos de obras.
Um centro histórico tombado para percorrer a pé
O centro histórico tem casarões coloniais do século 19, de fachadas coloridas e janelas altas, protegidos pelo Condephaat e pelo Iphan. A cidade foi fundada em 1769, e boa parte dos casarões é do tempo do café, quando São Luiz do Paraitinga ficava no caminho entre o Vale do Paraíba e o litoral de Ubatuba. Hoje ela é Estância Turística do estado. Um passeio a pé passa pela praça da matriz, pela Capela das Mercês, pela Igreja de Nossa Senhora do Rosário e pelo Mercado Municipal.
Na mesma caminhada fica a Casa e Museu Oswaldo Cruz, no casarão onde nasceu, em 1872, o médico sanitarista que liderou o combate à febre amarela e à peste no Rio de Janeiro e deu nome à Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz, uma das maiores instituições de pesquisa em saúde do país. O museu guarda objetos da família, como o berço do cientista.

O carnaval de marchinhas de São Luiz do Paraitinga
O carnaval da cidade ficou famoso por fugir do samba-enredo e do axé. Nas ruas, os blocos cantam marchinhas, muitas delas compostas por moradores, no estilo das dos anos 1930 a 1950. Blocos como Juca Teles, Barbosa, Maria Gasolina e Saci fazem parte da identidade da festa, e o bloco Encuca a Cuca desfila com mais de 20 bonecões que representam lendas locais.

A história por trás da festa é curiosa. O carnaval de rua ficou proibido pelo clero local por quase 60 anos, a partir dos anos 1920, e só voltou em 1981, depois que a cidade virou piada no noticiário nacional. A primeira marchinha da retomada se chamava Rabo e Chifre, uma provocação à proibição. Hoje, a cidade de cerca de 10 mil habitantes chega a receber mais de 30 mil visitantes por dia no carnaval.
Antes do carnaval acontece o Festival Nhô Frade de Marchinhas, criado em 1982, que em 2026 chegou à 41ª edição. É no festival que surgem as marchinhas novas cantadas pelos blocos, e ao longo das edições ele já reuniu cerca de 2 mil canções.
A música é herança antiga na cidade. O compositor Elpídio dos Santos, nascido em São Luiz do Paraitinga, deixou mais de mil obras, e seus filhos criaram, nos anos 1970, um grupo musical que ajudou a manter viva a tradição das marchinhas.
A Festa do Divino, a mais importante da cidade
Apesar da fama do carnaval, a festa considerada mais importante em São Luiz do Paraitinga é a do Divino Espírito Santo, no período de Pentecostes. A programação tem novenas, procissão das bandeiras, cavalgada e apresentações de grupos de moçambique, jongo e congada.
A festa dura cerca de dez dias e tem ainda catira, dança de fita, pau de sebo e os bonecões João Paulino e Maria Angu, casal de gigantes que há mais de um século sai nas festas da cidade. Pela tradição local, os nomes homenageiam o português que criou os bonecos para divertir as crianças e a esposa dele, Maria, que vendia pastéis de angu. Um dos momentos mais esperados é a distribuição do afogado, um cozido de carne servido de graça para moradores e visitantes. Em 2014, a receita levou 2,6 toneladas de carne, além de batata, macarrão e arroz. Durante a festa, as ruas ficam enfeitadas com bandeirolas vermelhas, e grupos de congada de outras cidades vêm se apresentar na escadaria da matriz.


A Festa do Divino de São Luiz do Paraitinga tem congada, moçambique, jongo e a distribuição do afogado.
Trilhas, cachoeiras e rafting
Para quem gosta de natureza, o Núcleo Santa Virgínia do Parque Estadual da Serra do Mar, no território de São Luiz do Paraitinga, tem trilhas pela Mata Atlântica e cachoeiras, como o Salto Grande, na trilha do Pirapitinga. Na região também há rafting no rio Paraibuna, cavalgadas, passeios de bicicleta e arvorismo.

São Luiz do Paraitinga fica entre o Vale do Paraíba e o litoral norte paulista, e muitos visitantes emendam a viagem com uns dias de praia em Ubatuba, descendo a serra. Outra cidade paulista de montanha e natureza é São Bento do Sapucaí, com a Pedra do Baú, e outra festa popular do interior é o Festival do Folclore de Olímpia.
São Luiz do Paraitinga perdeu sua igreja para as águas e a reconstruiu, e continua cantando marchinhas e servindo afogado como há gerações.
Você já foi ao carnaval de marchinhas de São Luiz do Paraitinga?




