Em março de 1930, um advogado nascido em Itapetininga venceu a eleição para presidente do Brasil com mais de 1 milhão de votos. Júlio Prestes nunca tomou posse: meses depois, a Revolução de 1930 levou Getúlio Vargas ao poder. A história pouco lembrada é um bom ponto de partida para saber o que fazer em Itapetininga, uma cidade que guarda no centro uma coleção de prédios históricos, de uma cadeia de taipa a uma escola desenhada pelo arquiteto mais famoso de São Paulo.
Itapetininga fica no sudoeste paulista, a cerca de 170 km da capital. É uma cidade grande, de comércio forte e muitas fazendas no entorno, mas é no centro antigo que o visitante encontra o passado. Dá para fazer quase tudo a pé, em um dia tranquilo.
O que fazer em Itapetininga primeiro: a antiga Câmara e Cadeia
O prédio mais antigo do roteiro é a antiga Casa de Câmara e Cadeia, construída em taipa no século 19. Durante décadas, ali funcionaram ao mesmo tempo a administração da cidade, a câmara de vereadores e a cadeia pública, um arranjo comum nas vilas paulistas daquela época.

No século 20, a fachada ganhou ornamentos no estilo neocolonial, muito usado em prédios públicos nos anos 1940. O conjunto foi tombado pelo Condephaat e hoje abriga o Centro Cultural e Histórico de Itapetininga, aberto à visitação com entrada gratuita. Vale reparar nas janelas gradeadas, que lembram o antigo uso como cadeia.
O Prédio do Doutor e a escola de Ramos de Azevedo
Na Avenida Peixoto Gomide, um conjunto arquitetônico chama a atenção de quem passa: o prédio amarelo e branco, de dois andares, com janelas em arco, foi projetado por Ramos de Azevedo, o arquiteto por trás do Theatro Municipal de São Paulo. Ali funcionou a primeira escola da cidade, e o prédio segue ligado ao ensino até hoje. Ele também recebe visitantes, e a riqueza dos detalhes justifica a parada. Repare nas molduras das janelas, nos frisos amarelos que contornam a fachada e na escadaria de entrada: são marcas do estilo que Ramos de Azevedo levou a escolas, teatros e prédios públicos de todo o estado no começo do século 20.
Outro edifício imponente é o Prédio do Doutor, de colunas e frontão clássico. No passado, foi ocupado pelo Batalhão de Cavalaria, e hoje também recebe visitantes. No jardim, implementos agrícolas antigos lembram a força do campo na economia da região.

A antiga estação de trem
Como tantas cidades do interior, Itapetininga cresceu com a ferrovia. A antiga estação ferroviária é um dos cartões-postais da cidade e guarda um acervo de objetos usados na época dos trens, como aparelhos de manobra, sinais e peças de via. A plataforma coberta e os trilhos ao lado ajudam a imaginar o movimento de passageiros e mercadorias que passava por ali. Para quem gosta de fotografia, os trilhos que se perdem no horizonte e as peças de ferro pintadas rendem boas imagens, principalmente com a luz do fim da tarde.

O que fazer em Itapetininga no centro: catedral, praças e city tour
A Catedral Nossa Senhora dos Prazeres é considerada o marco zero de Itapetininga. A fachada creme e amarela, com uma grande rosácea, e a torre alta com relógio podem ser vistas de vários pontos do centro. Vale entrar para conferir os detalhes da decoração.

Perto dali, a Praça Três Poderes reúne prefeitura, câmara e fórum, com uma alameda de palmeiras-imperiais que é das mais fotogênicas da cidade.

Já o Horto Religioso, fundado em 1922, é um grande gramado com a gruta ao fundo e pequenas capelas espalhadas pelo caminho. Tem pista de caminhada e parque infantil, e recebe festas e eventos religiosos ao longo do ano.

Um diferencial de Itapetininga é o city tour com encenações teatrais: em alguns roteiros, atores interpretam personagens e episódios da história local ao longo do percurso pelo centro. Consulte a agenda da prefeitura, porque as apresentações acontecem em datas marcadas.
Júlio Prestes, o presidente que não tomou posse
Júlio Prestes de Albuquerque nasceu em Itapetininga em 15 de março de 1882. Advogado, foi deputado e presidente do estado de São Paulo antes de disputar a Presidência da República. Na eleição de 1930, venceu com folga, mas a Revolução de 1930 impediu sua posse, e o país entrou na Era Vargas.
Por isso, quem visita Itapetininga encontra uma cidade que viu um filho seu chegar muito perto do comando do país. A memória dessa época aparece nos casarões e nos prédios públicos do centro, construídos numa época de prosperidade para a cidade.
Roteiro de um dia: o que fazer em Itapetininga
Para chegar, o caminho mais comum a partir de São Paulo é pela Rodovia Raposo Tavares, numa viagem de pouco mais de duas horas. A cidade tem boa estrutura de comércio, restaurantes e hotéis, o que facilita esticar a visita para um fim de semana e combinar com outras cidades da região.
Comece pela Catedral, no marco zero, e siga a pé até a antiga Câmara e Cadeia. Depois, caminhe pela Avenida Peixoto Gomide até o conjunto de Ramos de Azevedo e o Prédio do Doutor. À tarde, visite a antiga estação e termine no Horto Religioso ou na Praça Três Poderes. Se houver city tour com atores no dia, encaixe no roteiro.
Itapetininga combina com outras cidades da região. A cerca de uma hora, Tatuí é a capital da música, e em Iperó a Fazenda Ipanema guarda as ruínas da primeira fábrica de ferro do país. Mais ao sul, Itararé tem cânions e rio subterrâneo.
Andar por uma cadeia de taipa, uma escola de Ramos de Azevedo e uma estação de trem no mesmo dia é perceber que, em Itapetininga, a história do estado cabe em poucos quarteirões.




