No ponto mais alto de Nazaré Paulista, uma igreja construída a partir de uma capela de 1676 avisa, de longe, a quem passa pela Rodovia Dom Pedro I, que ali começa uma cidade antiga. Lá embaixo, entre os morros, a Represa Atibainha espalha suas águas calmas, com marinas, deques e barcos.
A apenas 88 quilômetros de São Paulo, cerca de uma hora e meia de carro, Nazaré Paulista junta história, represa, cachoeiras e mata preservada. Dá para conhecer num bate e volta, mas a cidade também convida a ficar o fim de semana.
A igreja de 1676 que deu nome à cidade
Nazaré Paulista nasceu em volta da capela de Nossa Senhora de Nazaré, erguida em 1676, que acabou dando nome ao povoado. No lugar da capela está hoje a Igreja Matriz, considerada a mais antiga da diocese e construída no ponto mais alto da cidade.

A igreja foi erguida em estilo barroco e, depois de uma reforma, ganhou linhas neoclássicas. Por dentro, os altares entalhados em madeira e as imagens antigas trazidas de Portugal contam a história de mais de três séculos de devoção.

Nazaré Paulista nasceu em volta de uma capela de 1676 e guarda a igreja mais antiga da diocese.
A Represa Atibainha
A Represa Atibainha, no pé da Serra da Mantiqueira, é o principal atrativo de Nazaré Paulista. Ela faz parte do Sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo, e preserva boa parte da vegetação nativa nas margens.

A represa é usada para passeios de barco, pesca esportiva, jet ski e stand-up paddle, e tem várias marinas ao longo das margens. Nos dias de sol, recebe muitos visitantes. Passeios de jipe pela região sobem a mirantes com vista para a água e para a ponte que cruza a represa.
Cachoeiras, mirantes e o Parque Itaberaba
Parte do Parque Estadual Itaberaba fica dentro de Nazaré Paulista. São cerca de 15 mil hectares de mata preservada, com espécies de plantas e animais ameaçados, trilhas, cachoeiras, rios e mirantes. A entrada é gratuita.
Entre as quedas d’água da cidade estão a Cachoeira Vicente Nunes, pequena e acessada por trilha, bem procurada nos dias quentes, e a Cachoeira Gavirutuva. O Cruzeiro Mirante e a trilha da Pedra do Gavião são outros pontos com vista para a serra. Bem perto, na vizinha Bom Jesus dos Perdões, fica a Cachoeira do Barrocão.
Casarões antigos de Nazaré Paulista
Nazaré Paulista guarda construções que contam a história da região. O Casarão de Cuiabá, do século 18, também conhecido como Casa dos Escravos, abrigou pessoas escravizadas que trabalhavam nas fazendas da época. Ele fica em terreno particular, e a visita precisa ser combinada com os proprietários.
A Casa de Francisco Derosa, do começo do século 20, é outra parada para quem gosta de turismo cultural.
Cavalgadas e turismo rural em Nazaré Paulista
O turismo rural é forte em Nazaré Paulista. Sítios e fazendas oferecem passeios a cavalo durante o dia ou à noite, encerrados com almoço ou jantar caseiro. Também há hotéis-fazenda e pousadas com pensão completa, piscinas aquecidas e minifazenda com atividades para crianças, uma boa opção para quem vai com a família e quer passar o fim de semana.

O IPÊ e o mico-leão-preto
Nazaré Paulista é a sede do IPÊ, o Instituto de Pesquisas Ecológicas, uma das maiores organizações ambientais do país. O instituto nasceu do trabalho de pesquisadores com o mico-leão-preto no Pontal do Paranapanema, a espécie que hoje vive no Parque Estadual Morro do Diabo, e mantém em Nazaré uma escola de conservação ambiental, criada em 1996, que hoje oferece até um mestrado profissional na área, um dos primeiros do tipo no país.

A sede promove cursos, estudos e projetos de educação ambiental. O trabalho com o mico-leão-preto continua, com monitoramento e pesquisa da espécie, que só existe no estado de São Paulo. Na mesma linha de contato com a natureza, a cidade abriga a Uniluz, uma escola de meditação com cursos de yoga, psicologia transpessoal, comunicação não violenta e danças circulares.
Festa de São Gonçalo
O turismo religioso também aparece na Festa de São Gonçalo do Amarante, que reúne devotos para orações e comemorações. A imagem do santo, com viola e fitas coloridas, é enfeitada para a festa.

Roteiro de um dia em Nazaré Paulista
Chegue cedo e comece pelo centro: suba até a Igreja Matriz, no alto da cidade, e aproveite a vista dos morros. Depois, desça em direção à Represa Atibainha para um passeio de barco ou de stand-up paddle, e almoce num dos restaurantes das margens.
À tarde, escolha entre uma trilha curta até uma das cachoeiras ou um passeio a cavalo pela zona rural. Antes de voltar, pare num dos mirantes da estrada para ver o fim de tarde sobre a represa e a ponte.
Como chegar a Nazaré Paulista
Saindo de São Paulo pela Rodovia Dom Pedro I, a viagem leva cerca de uma hora e meia. Num dia, dá para ver a igreja, almoçar perto da represa e fazer um passeio de barco ou uma trilha curta. Para as cachoeiras e o Parque Itaberaba, vale reservar um dia inteiro ou dormir na cidade.
Na mesma região, Piracaia tem a represa e a truta, e a Pedra Grande, em Atibaia, tem vista para toda a serra. Bragança Paulista também fica perto.
Uma igreja de mais de três séculos, uma represa entre morros e mata para todo lado: Nazaré Paulista é natureza e história a menos de cem quilômetros da capital.
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