Monte Alegre do Sul, a capital da cachaça, tem adega de 140 anos, balneário e cachoeira no Rio Camanducaia

Ilustração de garrafas de cachaça sobre um barril, com um casarão e uma pequena cachoeira entre palmeiras ao fundo
Ilustração criada com inteligência artificial inspirada nos alambiques e no balneário de Monte Alegre do Sul. Não é uma fotografia

Num vale do Rio Camanducaia, a cerca de 130 quilômetros de São Paulo, Monte Alegre do Sul ganhou um apelido que diz muito sobre a viagem: capital da cachaça. São cerca de 40 alambiques espalhados pela zona rural, e 38 deles abrem as portas para visita e degustação.

A cidade, uma estância hidromineral do Circuito das Águas, também tem balneário com banhos de imersão, fontes de água mineral, um santuário de 1919 e uma cachoeira onde as andorinhas fazem revoada no fim da tarde. Tudo bem perto do centro.

Monte Alegre do Sul, a capital da cachaça

A tradição chegou com os imigrantes italianos, que trocaram o café pelos alambiques e passaram a receita de geração em geração. Hoje os produtores se reúnem numa associação, e a Trilha da Cachaça é um dos passeios mais procurados da cidade, com rótulos premiados dentro e fora do estado.

Nos alambiques, o visitante conhece o processo, da moagem da cana ao envelhecimento em barris, prova cachaças brancas e envelhecidas, licores e vinhos e leva para casa queijos, salames, geleias e doces feitos na roça.

Monte Alegre do Sul tem cerca de 40 alambiques, e 38 deles recebem visitantes para degustação.

Adega Peterlini, com cerca de 140 anos

A Adega Peterlini é uma das mais antigas de Monte Alegre do Sul, com cerca de 140 anos de história. Fica a uns 3 quilômetros do centro, no bairro Mostardas, e funciona numa antiga tulha de café. Ali são produzidos cachaça, licores e vinhos, e a degustação inclui também os produtos coloniais da casa.

Outra parada clássica é a Fazenda Salmo XXIII, com alambique de pedras e bebidas envelhecidas em barris de carvalho. Lá a visita precisa ser agendada com antecedência, e as trilhas da fazenda passam por nascentes com ducha natural. Como cada alambique tem o seu horário, vale ligar antes, principalmente fora dos fins de semana.

O balneário e as fontes de Monte Alegre do Sul

O Balneário Municipal ocupa um prédio neocolonial do fim dos anos 1940, aos pés da serra. Lá dentro há banhos de imersão e de espuma, hidromassagem, duchas escocesa e circular, saunas seca e úmida e massoterapia, um programa completo para quem chega cansado da estrada.

Prédio verde-claro do Balneário Municipal de Monte Alegre do Sul, em estilo neocolonial, com palmeiras e a serra coberta de mata ao fundo
O Balneário Municipal, do fim dos anos 1940. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A cidade tem dez fontes de água mineral. A Fonte Bom Jesus, no centro, é a mais conhecida. Já a Fonte da Índia fica numa estrada arborizada, dentro da Estação Experimental criada em 1942 para pesquisas com café, frutas e hortaliças. Foi ali que, nos anos 1940, o morango foi adaptado ao clima paulista, origem da Festa do Morango da cidade.

Cachoeira das Andorinhas

A Cachoeira das Andorinhas é a maior e mais visitada do Rio Camanducaia, com quase 10 metros de queda entre grandes pedras. O nome vem do espetáculo do fim da tarde, quando bandos de andorinhas chegam para se abrigar perto da queda, por volta das 18h no inverno e das 20h no verão.

Cachoeira das Andorinhas, em Monte Alegre do Sul, com água barrenta descendo entre grandes pedras e mata dos dois lados
A Cachoeira das Andorinhas, no Rio Camanducaia. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A cachoeira é para ser admirada de fora: a vista é de um mirante na beira da estrada, e há relatos de que o banho ali é perigoso. Confirme o acesso no Departamento de Turismo antes de ir.

Santuário do Senhor Bom Jesus

Inaugurado em 6 de agosto de 1919, o Santuário do Senhor Bom Jesus é o único santuário do Circuito das Águas Paulista. A fachada se inspira na Igreja de Jesus, em Roma, e o interior tem pinturas do artista italiano D. Rocco, altar-mor todo entalhado em madeira e altares de mármore esculpido.

Fachada rosa e branca do Santuário do Senhor Bom Jesus, com relógio, colunas e estátuas de santos em nichos
O Santuário do Senhor Bom Jesus, inaugurado em 1919. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Restaurado em 1997, ele recebe romarias ao longo do ano. Atrás da igreja, o Mirante do Cruzeiro tem azulejos com as 14 estações da Via Sacra e vista para o centro.

A estação da Mogiana e o pontilhão

A estação de trem foi aberta em 1890 e atendeu a linha da Mogiana até 1966. Restaurada em 1996, hoje é um centro cultural com a Biblioteca Municipal e a sede do Departamento de Turismo, onde vale pegar informações sobre os alambiques. Uma locomotiva da Mogiana fica exposta ao lado da plataforma.

Antiga estação ferroviária de Monte Alegre do Sul, com o nome da cidade na fachada e uma locomotiva preta exposta na plataforma
A antiga estação da Mogiana, hoje centro cultural e biblioteca. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Da mesma época é o Pontilhão da Mogiana, uma ponte de ferro em treliça construída com a ferrovia, que ligava Monte Alegre do Sul a Socorro e aproximou as duas cidades.

Ponte de ferro avermelhada em treliça sobre uma passagem estreita, cercada de mata
O Pontilhão da Mogiana. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Mini Cidade e Mirante do Cristo

A Mini Cidade, também chamada de Cidade das Artes, é uma réplica em miniatura de Monte Alegre do Sul, com casinhas coloridas e até um santuário em escala reduzida. Também tem exposições permanentes com releituras de obras de Van Gogh, Dalí, Portinari e Tarsila do Amaral, e faz sucesso com as crianças.

Casinhas coloridas em miniatura com sino de ferro e placa de boas-vindas na Mini Cidade de Monte Alegre do Sul
A Mini Cidade. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Para ver a cidade inteira encaixada no vale, suba ao Mirante do Cristo. São 600 metros de subida íngreme até a estátua do Cristo Redentor, instalada em 1942, com vista de 360 graus para os morros em volta.

Vista do alto da cidade encaixada num vale, com casas de telhado laranja e morros cobertos de mata
A cidade vista do Mirante do Cristo. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Dicas para visitar Monte Alegre do Sul

Monte Alegre do Sul fica a cerca de duas horas de São Paulo e combina bem com outras cidades do Circuito das Águas, como Amparo, Serra Negra e Socorro. Para a Trilha da Cachaça, escolha um motorista que não vá beber ou combine o passeio com uma agência local.

Confirme os horários do balneário e dos alambiques antes de sair, e deixe o fim da tarde livre para ver as andorinhas.

Cachaça de alambique, banho de imersão e um vale de morros verdes: Monte Alegre do Sul é daquelas cidades pequenas que pedem para ficar mais um dia.

Qual você provaria primeiro: a cachaça branca ou a envelhecida no carvalho?

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.