Tremembé tem basílica de 1673, bica de água santa e várzeas de arroz plantadas por monges

Alameda arborizada da Praça Padre Luiz Balnes levando à fachada rosa e branca da Basílica do Senhor Bom Jesus de Tremembé
A Basílica do Senhor Bom Jesus, no fim da praça. Foto: Nicolas Louzada (Nicloufoto) / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Conta a lenda que, há mais de três séculos, um velhinho desconhecido entalhou numa cabana à beira do Rio Paraíba, onde hoje fica Tremembé, uma imagem do Senhor Bom Jesus. Quando os moradores tiraram a imagem do lugar, um fio de água brotou do chão. Ali nasceu a devoção que deu origem a uma das igrejas mais antigas do Vale do Paraíba.

Tremembé fica ao lado de Taubaté, a cerca de 130 quilômetros de São Paulo. Além da basílica e da bica de água santa, ela guarda uma estação de trem de 1914, uma ponte antiga sobre o Paraíba e campos de arroz que começaram a ser plantados por monges no começo do século 20. O próprio nome combina com a paisagem: Tremembé vem do tupi e quer dizer alagadiço, terreno encharcado, como as várzeas do rio.

Basílica do Senhor Bom Jesus de Tremembé

Documentos de 1663 já falavam da imagem do Senhor Bom Jesus na região. Em 1672, o capitão Manuel da Costa Cabral pediu autorização para construir uma igreja dedicada a ela, e o templo ficou pronto em 1673. Ampliada em 1795, a igreja virou santuário em 1907 e recebeu do Vaticano o título de basílica menor em 1974.

A basílica, de fachada rosa e branca, fica no fim de uma alameda de árvores altas, na Praça Padre Luiz Balnes, e é considerada um dos patrimônios históricos mais valiosos do Vale do Paraíba. Por dentro, mistura elementos coloniais com detalhes do século 19.

A Basílica do Senhor Bom Jesus de Tremembé ficou pronta em 1673 e é uma das igrejas mais antigas do Vale do Paraíba.

Todo ano, entre julho e agosto, a cidade faz a Festa do Senhor Bom Jesus, uma das maiores festas religiosas e populares da região, com novena, shows gratuitos, comida típica e feira de artesanato. O ponto alto é o dia 6 de agosto.

Na própria praça da basílica, um casarão do começo do século 19 abriga o restaurante Santa Figueira, de cozinha contemporânea. É uma boa pausa para almoçar depois da visita à igreja, com vista para a praça arborizada.

A Bica da Água Santa

No centro da cidade fica a Bica da Água Santa, no lugar onde, segundo a tradição, a água brotou quando a imagem foi retirada. Ali há dois chafarizes antigos, um de 1869 e outro de 1884.

Na cidade há outra fonte antiga, a Bica de Nossa Senhora da Glória, com uma imagem da santa, jardim, gramado e bancos, onde os moradores costumam se reunir para rezar.

Gruta de pedras redondas com a imagem de Nossa Senhora da Glória enfeitada com flores cor-de-rosa, em Tremembé
A Bica de Nossa Senhora da Glória. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Estação de 1914 de Tremembé

A antiga estação ferroviária, de tijolos vermelhos e frontão branco, foi inaugurada em 1914 para colocar Tremembé na linha que seguia para São Paulo. Por ela saíam o café e o arroz produzidos na região, rumo à linha da Central do Brasil. Hoje o prédio é o ponto de partida do Circuito Trapista, o roteiro de bicicleta que apresenta a história da cidade.

Fachada de tijolos vermelhos com frontão branco ornamentado e portas de madeira da antiga estação ferroviária de Tremembé
A antiga estação ferroviária, de 1914. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A ponte antiga sobre o Paraíba

Outro cartão-postal é a ponte antiga sobre o Rio Paraíba do Sul, com arcos de concreto. Hoje ela é usada só por pedestres e ciclistas, e de cima dá para ver o rio que corta todo o Vale do Paraíba.

Ponte antiga de concreto em arcos sobre o Rio Paraíba do Sul, em Tremembé, com o rio barrento correndo embaixo
A ponte antiga sobre o Rio Paraíba do Sul. Foto: Nicolas Louzada (Nicloufoto) / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Circuito Trapista e as várzeas de arroz

No começo do século 20, monges trapistas instalados na Fazenda Maristela começaram a plantar arroz nas várzeas do Paraíba. Eles ficaram na cidade até 1927, mas os arrozais continuam marcando a paisagem de Tremembé. Nos anos 1970, o curso do rio foi alterado para proteger as plantações das enchentes. A antiga fazenda dos monges, do século 19, virou pousada nos anos 1990 e mantém o casarão com características originais, cercado de mangueiras, jabuticabeiras e bichos do mato.

Estrada de terra entre cercas e pasto verde, com uma árvore grande e morros ao fundo, na zona rural de Tremembé
Estrada rural de Tremembé, boa para pedalar. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Para conhecer tudo isso, a prefeitura criou o Circuito Trapista, um roteiro de bicicleta de nível moderado. Ele sai da estação, passa pelo museu histórico, pela basílica e pela ponte antiga e segue até o mosteiro e as várzeas, com vista para a Serra da Mantiqueira. Cada parada tem um QR Code com informações e o mapa da rota.

Carmelo da Santa Face e a Madre Carminha

Um dos lugares de fé mais visitados é o Carmelo Santa Face e Pio XII, fundado nos anos 1950 pela Madre Maria do Carmo da Santíssima Trindade, a Madre Carminha, e pela Madre Antonieta Maria. A casa de oração chegou a reunir 21 irmãs. Ela foi declarada venerável pelo Vaticano, e o seu processo de beatificação segue em andamento.

Capela clara do Carmelo Santa Face e Pio XII, com arco, janela redonda, estátua branca e jardim na frente
O Carmelo Santa Face e Pio XII. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Horto Municipal

Para quem está com crianças, o Horto Municipal tem lago, área de piquenique, caminhada à beira da água e playground, além de espetáculos infantis nos fins de semana.

Lago com bambus na margem, gramado e quiosques num parque arborizado
O lago do Horto Municipal. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Dicas para visitar Tremembé

Tremembé fica a cerca de 130 quilômetros de São Paulo, pela Via Dutra, colada em Taubaté, terra de Mazzaropi e Monteiro Lobato. Dá para fazer o centro a pé e reservar algumas horas para pedalar pelas várzeas. Quem quer ver a cidade cheia deve ir entre o fim de julho e o começo de agosto, na época da festa. No resto do ano, o ritmo é tranquilo, de cidade do interior.

A cidade fica no caminho de quem sobe para Campos do Jordão, e quem gosta de turismo religioso pode emendar a visita com o Santuário de Aparecida, também no Vale do Paraíba.

Uma lenda de água santa, uma basílica de mais de 350 anos e arrozais plantados por monges: Tremembé merece mais do que uma parada rápida na estrada.

Você já conhecia a história da Bica da Água Santa de Tremembé?

Compartilhe esse conteúdo em suas redes sociais

Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.