São José do Barreiro tem fazenda de café de 1813, cachoeira de 70 metros e a porta da Serra da Bocaina

Casarão branco de dois andares da Fazenda São Francisco, com janelas e portas azuis, gramado e árvores, aos pés da serra
A Fazenda São Francisco, de 1813, em São José do Barreiro. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

No extremo leste de São Paulo, quase na divisa com o Rio de Janeiro, São José do Barreiro foi, na segunda metade do século 19, uma das grandes produtoras de café do mundo. O dinheiro do café deixou casarões no centro e fazendas espalhadas pelo vale, algumas com mais de 200 anos, que hoje recebem visitantes para contar essa história.

A cidade faz parte do chamado Vale Histórico, ao lado de Bananal, Arapeí e Areias, e fica aos pés da Serra da Bocaina. É a principal porta de entrada do Parque Nacional da Serra da Bocaina, com cachoeiras de água gelada e a famosa Trilha do Ouro.

Fazenda São Francisco, a mais antiga da cidade

Construída em 1813, a Fazenda São Francisco é a mais antiga de São José do Barreiro. A casa-sede, de dois andares, guarda móveis e objetos de época e abriga, desde 1986, o Museu Armando Vianna, com peças que contam a história da fazenda e da região.

Do terreiro, a vista alcança ao mesmo tempo a Serra da Mantiqueira e a Serra da Bocaina. A fazenda faz visitas guiadas com agendamento, em grupos pequenos, e oferece cavalgadas, trilhas e refeições com comida da região na companhia dos donos. Dá também para se hospedar na casa-sede.

A Fazenda São Francisco, de 1813, é a fazenda mais antiga de São José do Barreiro e abriga um museu desde 1986.

Fazenda da Barra, em São José do Barreiro

A Fazenda da Barra foi construída por volta de 1850, na época de ouro do café. O conjunto guarda ruínas da senzala, tulhas com colunas imponentes, muros de pedra, terreiros de café e árvores centenárias. Um curso d’água que antigamente movia o moinho e a usina forma pequenas quedas na propriedade.

Casa-sede branca da Fazenda da Barra, em São José do Barreiro, com janelas verdes, escada de pedra e jardim sob árvores grandes
A Fazenda da Barra. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A visita guiada leva cerca de uma hora e meia e passa por três olhares: a história, o meio ambiente e a arquitetura. A fazenda também tem day use, com cavalgadas pela Serra da Bocaina, piscina natural e comida feita no fogão a lenha.

Outras fazendas do Vale Histórico

A Fazenda Catadupa, de 1831, é outra joia do período imperial. Ela passa por restauro e recebe grupos com agendamento, como parte do roteiro de fazendas históricas da cidade.

Casarão branco de dois andares com janelas azuis da Fazenda Catadupa, em São José do Barreiro, cercado de mata e morros
A Fazenda Catadupa, de 1831. Foto: Vladimir Benincasa / Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios (UFMT), Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Já a famosa Fazenda Pau d’Alho, onde Dom Pedro, então príncipe regente, parou na viagem de 1822 que terminaria no grito da Independência, está com a visitação suspensa pelo Iphan, o órgão federal de patrimônio. Antes de planejar a ida, confirme se ela voltou a abrir. Quem gosta do tema pode emendar com as fazendas da vizinha Bananal.

Clube dos 200 e o centro de São José do Barreiro

Uma parada curiosa fica na estrada. O Clube dos 200 foi inaugurado em 24 de março de 1928 pelo então presidente Washington Luís e mais 199 sócios, daí o nome, como ponto de apoio na recém-aberta estrada entre Rio e São Paulo. O casarão, projetado por Alexandre Albuquerque, tem inspiração colonial espanhola, com arcos, pátio interno e piso de ladrilho hidráulico.

Casarão térreo em estilo espanhol com arcos e telhado de telhas do Clube dos 200, entre jardim e morros
O Clube dos 200, inaugurado em 1928. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Hoje o Clube dos 200 funciona como hotel fazenda. No centro da cidade, os casarões coloniais com portas e janelas coloridas lembram a riqueza do tempo do café e valem uma caminhada sem pressa.

Casarão colonial com portas e janelas vermelhas e ornamentos coloridos na fachada, numa rua de paralelepípedos do centro de São José do Barreiro
Casarão no centro histórico. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Cachoeiras perto da cidade

São José do Barreiro tem várias cachoeiras fáceis de visitar, sem precisar entrar no parque nacional. No bairro do Formoso, a cerca de 10 quilômetros do centro, o Cachoeirão do Formoso tem pequenas quedas d’água e poços de água cristalina, a poucos minutos de caminhada de onde se para o carro, bom para ir com crianças.

Pequenas quedas d'água e poço entre pedras claras, com mata e morro verde ao fundo, no Cachoeirão do Formoso, em São José do Barreiro
O Cachoeirão do Formoso. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Seguindo pela estrada, a Cachoeira da Mata, a cerca de 17 quilômetros do centro, tem uns 15 metros de queda e uma piscina natural no meio da mata preservada, com acesso fácil. Já a Cachoeira Esmeralda, no bairro do Máximo, é conhecida pelo poço de água transparente.

Dá para juntar as três num roteiro de um dia, com parada para almoçar na região. Em dias de calor, chegue cedo para pegar os poços mais vazios, e leve calçado que possa molhar, porque as pedras ficam escorregadias.

A Serra da Bocaina

A portaria do Parque Nacional da Serra da Bocaina fica a cerca de 27 quilômetros do centro de São José do Barreiro, pela SP-221, a Estrada da Bocaina. O trajeto leva perto de uma hora, com trechos de asfalto e de terra.

Cachoeira alta e branca caindo entre a mata num poço, a Cachoeira Santo Isidro, no Parque Nacional da Serra da Bocaina
A Cachoeira Santo Isidro, no Parque Nacional da Serra da Bocaina. Foto: Adriano Aurelio Araujo / Wikimedia Commons, CC BY 2.0 (recortada)

A uns 2 quilômetros da portaria fica a Cachoeira Santo Isidro, com cerca de 70 metros de queda, a primeira grande cachoeira da Trilha do Ouro. A trilha, antigo caminho do ouro, atravessa o parque por cerca de 56 quilômetros, normalmente em três dias, até Mambucaba, em Angra dos Reis. Passeios de um dia, sem pernoite, nas áreas abertas do parque não precisam de autorização e não pagam entrada. Já as travessias com pernoite exigem autorização prévia. Vamos contar o parque com detalhes num próximo artigo.

Dicas para visitar São José do Barreiro

As fazendas trabalham com agendamento, então combine as visitas antes de sair de casa. Para a Bocaina, vá de carro alto ou com guia se tiver chovido, e leve casaco, porque lá em cima costuma fazer frio. Reserve pelo menos um fim de semana, um dia para as fazendas e outro para as cachoeiras e o parque.

Na mesma região de serras, outro destino é Cunha, famosa pela lavanda e pela cerâmica.

Entre casarões do café e cachoeiras da Bocaina, São José do Barreiro é um daqueles cantos do estado que parecem ter parado no tempo, no melhor sentido.

Você já conhecia o Vale Histórico paulista?

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.