Vassununga tem jequitibá de mais de 500 anos, cerrado com pé de gigante e cachoeira de três quedas

Tronco grosso de um jequitibá-rosa gigante subindo entre a mata, com a copa larga lá no alto, no Parque Estadual Vassununga
Jequitibá-rosa no Parque Estadual Vassununga. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Há mais de cinco séculos, uma semente de jequitibá-rosa germinou no interior de São Paulo. Hoje, essa árvore passa dos 40 metros de altura, tem um tronco que exigiria vários adultos de mãos dadas para ser abraçado e é considerada a árvore viva mais antiga do estado. Ela fica no Parque Estadual Vassununga, em Santa Rita do Passa Quatro, e a visita é de graça.

O parque guarda a maior concentração de jequitibás-rosa ainda existente no estado, além de um pedaço de cerrado com nome de lenda. E a cidade em volta completa o passeio com uma cachoeira de três quedas, as ruínas de uma das primeiras usinas elétricas paulistas e o museu do compositor de “Tico-Tico no Fubá”.

O Parque Estadual Vassununga

O Parque Estadual Vassununga foi criado em 26 de outubro de 1970 e tem cerca de 2.071 hectares, divididos em seis áreas separadas, chamadas glebas. Cada uma protege um tipo de vegetação: há trechos de mata, onde vivem os jequitibás, e trechos de cerrado, com árvores mais baixas e retorcidas.

Além dos jequitibás, o parque protege espécies ameaçadas de extinção, como o palmito-juçara e o cedro-rosa, e abriga muitas aves e mamíferos. É um dos lugares mais importantes para a conservação da natureza no interior paulista, e um passeio fácil para fazer com crianças.

O Jequitibá Patriarca

A estrela do parque é o Jequitibá Patriarca. A árvore passa dos 40 metros de altura, o equivalente a um prédio de uns 13 andares, e o tronco tem cerca de 3,6 metros de diâmetro na base. A idade é estimada em mais de 500 anos, ou seja, ela atravessou praticamente toda a história do Brasil desde a colonização.

Jequitibá-rosa visto de baixo, com tronco largo e copa alta contra o céu azul, em Vassununga
Um dos jequitibás-rosa da reserva. Foto: Giorgioglobe / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

O caminho até ele é a Trilha dos Jequitibás, considerada fácil, com 1 a 2 quilômetros. Ao longo dela aparecem outros jequitibás enormes, e o silêncio da mata faz parte da experiência. Diante do Patriarca, a sensação é de estar muito pequeno.

O Jequitibá Patriarca, no Parque Estadual Vassununga, tem mais de 40 metros de altura e é considerado a árvore viva mais antiga de São Paulo.

Cerrado e o Pé de Gigante

Outra parte famosa do parque é a gleba Pé de Gigante, com cerca de 900 hectares de cerrado bem conservado. O nome vem de uma grande depressão no terreno que, vista do alto, lembra a pegada de um pé gigante. Ali há um mirante e a trilha do cerrado, com paisagem bem diferente da mata dos jequitibás.

Pôr do sol no Parque Estadual de Vassununga. Foto: Edumurad / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

No fim da tarde, as áreas abertas e alagadas do parque ganham tons de laranja e vermelho, um bom momento para fotos.

Como visitar o Parque Estadual Vassununga

A entrada é gratuita, e o parque abre todos os dias, das 8h às 17h, com entrada permitida até as 16h. Há um centro de visitantes, de onde saem as visitas monitoradas. A Trilha dos Jequitibás é feita com monitor, e o agendamento é feito pelo site de ingressos dos parques paulistas, da Fundação Florestal.

Placa de boas-vindas do Parque Estadual de Vassununga com o mapa das áreas do parque, ao lado de uma trilha com cerca de madeira
A placa de boas-vindas do parque, com o mapa das glebas. Foto: Fe Hirata / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (recortada)

Leve água, repelente e tênis. A trilha é curta e plana, boa para crianças e para quem não está acostumado a caminhar no mato.

Cachoeira 3 Quedas e as ruínas da usina

Pertinho do centro de Santa Rita do Passa Quatro fica a Cachoeira 3 Quedas, formada pelo córrego Passa Quatro, com três quedas d’água seguidas no meio da mata. Uma escadaria de cerca de 360 degraus leva às quedas de baixo, e o esforço da volta vale a paisagem.

Cachoeira caindo em degraus sobre pedras escuras no meio da mata fechada, na Cachoeira 3 Quedas
A Cachoeira 3 Quedas, em Santa Rita do Passa Quatro. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

No caminho ficam as ruínas da Casa de Força, a primeira usina elétrica da cidade, que começou a gerar energia em 1893. Santa Rita foi uma das primeiras cidades paulistas a ter luz elétrica. O local tem estacionamento, banheiros e restaurante, e abre todos os dias, das 8h às 17h.

Outra parada para quem gosta de cachoeira é a Usina São Valentim, às margens do rio Claro. Construída em 1911, é uma das hidrelétricas mais antigas do estado e pode ser visitada. Ao lado dela, a Cachoeira São Valentim despenca em queda livre de cerca de 80 metros e é usada até em competições de rapel.

Santa Rita, a cidade de Zequinha de Abreu

Santa Rita do Passa Quatro é a terra de Zequinha de Abreu, nascido ali em 1880 e autor de “Tico-Tico no Fubá”, choro de 1917 que correu o mundo. A antiga estação ferroviária da cidade virou o Museu Zequinha de Abreu, com discos, partituras, móveis e instrumentos que pertenceram ao compositor.

Fachada branca da antiga estação ferroviária com portas em arco e cobertura de ferro, onde funciona o Museu Zequinha de Abreu
A antiga estação de Santa Rita, sede do Museu Zequinha de Abreu. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Para ver a região do alto, o Morro Itatiaia tem um Cristo Redentor, vista panorâmica das cidades vizinhas e rampa de voo livre.

Dicas para visitar Vassununga

O parque e as cachoeiras recebem visitantes o ano todo. Na época das chuvas, de dezembro a março, as quedas ficam mais cheias e a mata mais verde, mas as trilhas podem ficar escorregadias. No inverno, o tempo seco deixa as caminhadas mais confortáveis e o cerrado ganha tons dourados.

Comece o dia cedo pelo parque, quando a mata está mais fresca, e deixe a tarde para a Cachoeira 3 Quedas e o museu. Em feriados, agende a trilha com antecedência. Quem gosta de natureza pode emendar outros passeios do interior, como Analândia, com morro de arenito e cachoeiras, e Brotas, com rafting e cachoeiras. Outra floresta para conhecer árvores e bichos de perto é a de Intervales.

Ficar diante de uma árvore que viu cinco séculos de história é um daqueles passeios simples que ficam na memória por muito tempo.

Você já abraçou, ou tentou abraçar, uma árvore gigante?

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.