Na estrada para Analândia, uma pedra se destaca na paisagem: um paredão de arenito no alto de um morro verde, visível de longe. É o Morro do Cuscuzeiro, símbolo de uma cidade de pouco mais de 4.500 habitantes no interior paulista, a pouco mais de 200 quilômetros da capital, onde não há prédios nem pressa.
Em volta do morro, Analândia guarda cachoeiras de água avermelhada, uma delas bem na entrada da cidade, uma gruta com desenhos feitos há até 7 mil anos e trilhas para quem gosta de caminhar e escalar. É um destino para passar o fim de semana entre pedra, água e mato.
O Morro do Cuscuzeiro, símbolo de Analândia
O Morro do Cuscuzeiro chega a cerca de 900 metros de altitude, e os últimos 50 metros são de rocha vertical. Ele é o que os geólogos chamam de morro-testemunho: um pedaço de terreno mais alto que resistiu à erosão enquanto a paisagem em volta se desgastava, deixando a formação de arenito isolada no topo.
O morro fica a cerca de 3 quilômetros do centro, dentro de uma propriedade particular que cobra entrada e tem restaurante e área de camping. A caminhada até a base da pedra leva de 40 a 45 minutos, por trilha com subida, e lá de cima a vista alcança os campos e morros da região.
O paredão é um dos pontos de escalada mais conhecidos do interior, com mais de 50 vias de vários níveis de dificuldade. Quem leva o próprio equipamento pode escalar, e também há rapel, tirolesa e arvorismo na propriedade.
Ao lado fica o Morro do Camelo, outra formação de arenito da mesma serra, cuja silhueta lembra um camelo deitado. Quem tem fôlego pode combinar os dois morros numa trilha mais longa, e o fim de tarde, com o sol batendo na pedra, é o melhor momento para fotos.
O Morro do Cuscuzeiro, em Analândia, tem cerca de 900 metros de altitude e um paredão de arenito de 50 metros com mais de 50 vias de escalada.
Salto Major Levy, o cartão-postal de Analândia
A cachoeira mais conhecida da cidade é o Salto Major Levy, com cerca de 25 metros de queda, bem na entrada de Analândia. O acesso é gratuito, e o lugar tem estacionamento e um quiosque simples. A água desce entre a mata e forma um poço de água de tom avermelhado, rodeado de verde.

O salto faz parte do território do projeto Geoparque Corumbataí, que reúne pontos de interesse geológico da região e conta uma história de cerca de 300 milhões de anos, gravada nas rochas. Por ficar perto do centro, é uma boa primeira parada, e combina com um piquenique na grama.
Cachoeira do Escorrega e as outras quedas
Para quem viaja com crianças, a preferida costuma ser a Cachoeira do Escorrega. Em vez de uma grande queda, ela forma uma sequência de pequenas cachoeiras sobre um platô de pedra, e a rocha lisa funciona como escorregador natural. O lugar tem restaurante e camping, o que facilita passar o dia inteiro por lá.

Com mais disposição, dá para ir até a Cachoeira da Bocaina, uma das mais altas da região, com mais de 40 metros de queda, poço natural e mirante. Ela fica em propriedade particular, abre nos fins de semana e feriados e cobra entrada. Há ainda outras quedas menores pela zona rural, como a Cachoeira da Ponte Amarela.
Gruta do Índio, com pinturas de até 7 mil anos
Um dos passeios mais curiosos de Analândia é a Gruta do Índio. A cavidade de arenito, junto com o vizinho Abrigo do Alvo, guarda desenhos rupestres que podem ter até 7 mil anos, feitos pelos povos que viviam na região muito antes da chegada dos europeus.

A gruta fica em propriedade particular, e a visita é guiada por operadores locais, que explicam o significado dos desenhos e a formação da rocha. Ela abre nos fins de semana e feriados, e nos dias de semana só com agendamento, então vale combinar antes de ir. Além das pinturas, o passeio mostra as camadas coloridas da rocha, que ajudam a entender como a paisagem se formou.
A Gruta do Índio, em Analândia, tem desenhos rupestres que podem ter até 7 mil anos.
A cidade de Analândia
Analândia se chamava Anápolis até 1944, quando ganhou o nome atual para não ser confundida com a cidade de mesmo nome em Goiás. O centro é pequeno e tranquilo, com a Igreja Matriz de Sant’Anna na praça, e é fácil conhecer tudo a pé depois de um dia de trilhas.

Como a maioria das atrações fica em estradas de terra e em propriedades particulares, o ideal é ir de carro, com calçado de trilha, roupa de banho e protetor solar. A região tem pousadas e hotéis na zona rural, bons para transformar o passeio em fim de semana e aproveitar o céu estrelado longe das luzes da cidade.
Como chegar e quando ir a Analândia
De São Paulo, o caminho mais comum é pela Rodovia dos Bandeirantes e depois pela Washington Luís, num trajeto de cerca de três horas de carro. Quem vai de ônibus costuma descer em Rio Claro, a cidade grande mais próxima, e seguir de carro até Analândia.
No verão, época de chuva, as cachoeiras ficam mais cheias e a água mais convidativa, mas as trilhas e as estradas de terra podem ficar escorregadias. No inverno, os dias são secos e mais frescos, bons para subir o Cuscuzeiro e escalar, enquanto as quedas perdem um pouco de volume. Na primavera e no outono, o clima costuma ser o meio-termo entre os dois.
Na mesma região ficam a Cachoeira do Saltão, em Itirapina, e a nascente onde a areia canta, em Brotas.
Analândia continua pequena e sem pressa, e o Cuscuzeiro, lá no alto, é o tipo de paisagem que faz a viagem valer desde a estrada.
Você subiria até o paredão do Morro do Cuscuzeiro?




