Campinas tem mercado mourisco de 1908, caravela na Lagoa do Taquaral e torre com vista de 360 graus

Fachada mourisca do Mercado Municipal de Campinas, com listras vermelhas e amarelas, ameias no alto e janelas em arco, sob céu azul
O Mercado Municipal de Campinas, de 1908. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Muita gente passa por Campinas só a trabalho ou a caminho de outras cidades do interior, mas a maior cidade da região tem passeios para um fim de semana inteiro. E boa parte deles é de graça.

No centro, um mercado em estilo mourisco projetado por Ramos de Azevedo vende de tudo há mais de um século, ao lado de uma estação de trem com torre de relógio. Mais adiante, uma lagoa com caravela, um mirante dentro de uma antiga caixa d’água e um parque aberto numa pedreira desativada mostram que a cidade sabe reaproveitar a própria história.

O Mercadão de Campinas, de 1908

O Mercado Municipal de Campinas, o Mercadão, foi inaugurado em 12 de abril de 1908. O projeto é de Ramos de Azevedo, o mesmo arquiteto do Theatro Municipal de São Paulo, e chama atenção pelo estilo mourisco, com listras vermelhas e amarelas, ameias no alto das paredes e janelas em arco.

O prédio foi pensado, no começo, como entreposto para os produtos que chegavam pela ferrovia Funilense, principalmente açúcar. Hoje, os boxes vendem frutas, verduras, queijos, temperos, artigos religiosos e utensílios. O Mercadão é tombado pelo Condephaat, o órgão de patrimônio do estado, desde 1982, e foi restaurado em 1996.

O Mercadão de Campinas foi inaugurado em 1908 e tem projeto de Ramos de Azevedo, em estilo mourisco.

Lagoa do Taquaral, com caravela e planetário

O parque mais famoso de Campinas é o Parque Portugal, mais conhecido como Lagoa do Taquaral. Ele foi criado em 1972 nas terras da antiga Fazenda Taquaral e gira em torno de uma grande lagoa, com pedalinhos e um chafariz de águas dançantes que funciona nos fins de semana.

Lagoa do Taquaral, em Campinas, com chafariz de jatos de água e a réplica de caravela vermelha atracada num deck entre árvores
A Lagoa do Taquaral e a réplica da caravela. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A atração mais fotografada é a réplica da caravela de Pedro Álvares Cabral, atracada num deck na beira da lagoa, com visita gratuita. O parque tem ainda um bondinho que lembra os antigos bondes da cidade, o Planetário de Campinas, um museu de ciências, o Museu do Esporte, viveiros de aves, parquinhos e áreas de piquenique. Num domingo de sol, a Lagoa do Taquaral vira o quintal da cidade.

Estação Cultura, de 1872

Pertinho do Mercadão fica a Estação Cultura, a antiga estação da Companhia Paulista. Ela foi inaugurada em 1872 e reconstruída em 1884 no estilo gótico vitoriano, com tijolos vermelhos e a torre do relógio que virou símbolo do centro.

Prédio de tijolos vermelhos da Estação Cultura, em Campinas, com torre de relógio pontiaguda e bandeiras na fachada
A Estação Cultura, antiga estação da Companhia Paulista. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O prédio fica aberto ao público durante o dia e, à noite, recebe shows e eventos culturais. A estação também está na nossa lista de estações históricas do interior de SP. Para andar de trem de verdade, a Maria Fumaça sai da Estação Anhumas, em Campinas, nos fins de semana.

Torre do Castelo, o mirante de Campinas

No bairro do Castelo, uma antiga caixa d’água virou o melhor mirante da cidade. A Torre do Castelo foi inaugurada em 1940 como reservatório, com 27 metros de altura, para abastecer a região norte de Campinas. Lá no alto, um mirante dá uma vista de 360 graus de toda a área urbana.

Torre do Castelo, antigo reservatório de água bege com mirante no alto, numa praça com piso de pedras portuguesas sob céu azul
A Torre do Castelo, inaugurada em 1940. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A entrada é gratuita e não precisa de agendamento para visitas individuais. A torre abre de terça a domingo, com pausa na hora do almoço, e nos fins de semana fica aberta até a noite, o que permite ver o pôr do sol e as luzes da cidade lá de cima.

Pedreira do Chapadão, um parque numa antiga mina

Perto da torre fica outro passeio diferente. Entre as décadas de 1930 e 1970, a área era uma pedreira em plena atividade, de onde se extraía basalto. Desativada, ela virou em 1994 a Praça Ulysses Guimarães, que todo mundo chama de Pedreira do Chapadão.

Paredão de pedra avermelhada da antiga pedreira, com mata no alto, gramado e uma escultura vermelha, na Pedreira do Chapadão
O paredão da Pedreira do Chapadão. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

São cerca de 130 mil metros quadrados aos pés do paredão de pedra avermelhada, com espelho d’água e cascata, canteiros, pista de caminhada e de corrida e espaço para bicicleta. O gramado central recebe shows e apresentações ao ar livre, e o lugar é ótimo para um fim de tarde.

Santuário de Nossa Senhora Desatadora dos Nós

Um dos lugares mais visitados de Campinas é o Santuário de Nossa Senhora Desatadora dos Nós. A devoção chegou à cidade pelas mãos do francês Denis Bourgerie, que, com a mulher, ergueu em 1998 a primeira capela do Brasil dedicada à santa. O movimento cresceu tanto que muitos fiéis assistiam às missas do lado de fora, e em 2006 foi inaugurado o santuário atual, com lugar para cerca de 1.500 pessoas.

Santuário de Nossa Senhora Desatadora dos Nós, em Campinas, com cúpula azul e torre branca com sino entre ciprestes
O Santuário de Nossa Senhora Desatadora dos Nós. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Os visitantes costumam escrever seus pedidos em papéis e deixá-los diante do altar, pedindo à santa que desate os nós da vida. O santuário recebe romeiros de várias partes do país e até do exterior.

Escola de Cadetes, o prédio rosa

Outro cartão-postal é o prédio rosa da Escola Preparatória de Cadetes do Exército, a EsPCEx. As obras começaram em 1944, com projeto de Hernani do Val Penteado em estilo colonial espanhol, e a torre branca dá para ver de longe.

Prédio rosa em estilo neocolonial da Escola Preparatória de Cadetes do Exército, com torre branca alta e fachada ornamentada
A Escola Preparatória de Cadetes do Exército. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A escola recebe visitantes, mas é preciso levar documento com foto e evitar chinelo, bermuda e roupas curtas. Para grupos, a visita deve ser pedida com antecedência.

Dicas para visitar Campinas

Campinas fica a cerca de 100 quilômetros de São Paulo, e dá para fazer o centro a pé: Mercadão e Estação Cultura ficam perto um do outro. Para os outros passeios, vá de carro ou aplicativo. A Torre do Castelo e a Pedreira do Chapadão ficam próximas e combinam com um fim de tarde.

Quem gosta de natureza pode incluir ainda o Parque Ecológico de Campinas, gratuito, com lago e trilhas.

Mercadão, caravela, mirante e pedreira provam que Campinas tem muito mais do que avenidas e escritórios, e merece um fim de semana só para ela.

Qual desses passeios de Campinas você ainda não fez?

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.