São Francisco Xavier tem pico de 2.082 metros, cachoeira de 25 metros e mirante gratuito na Mantiqueira

Estrada de terra entre mata e árvores de flores roxas e amarelas, com o pico do Queixo d'Anta ao fundo, em São Francisco Xavier
A estrada rural e o Queixo d'Anta ao fundo, em São Francisco Xavier. Foto: Stella Becker / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

No alto da Serra da Mantiqueira, a cerca de 150 quilômetros da capital, São Francisco Xavier tem jeito de vila de montanha: uma igreja de fachada azul na praça, ruas com restaurantes e lojinhas de artesanato e serras em volta. O distrito pertence a São José dos Campos, fica a 720 metros de altitude e é cercado por picos que passam dos 2 mil metros, com cachoeiras, trilhas e mirantes a poucos quilômetros do centro.

São Francisco Xavier foi criado oficialmente em 1892 e nasceu como ponto de parada dos comerciantes que desciam de Minas Gerais. Desde 2002, a região é protegida como Área de Proteção Ambiental estadual, e hoje recebe quem procura natureza, comida caipira e um fim de semana sem pressa a cerca de duas horas de São Paulo.

Araucárias e cerca de madeira num morro de capim dourado pelo sol, com montanhas da Mantiqueira ao fundo
Araucárias na Área de Proteção Ambiental de São Francisco Xavier. Foto: Stella Becker / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Como chegar a São Francisco Xavier

O distrito fica a 54,8 quilômetros do centro de São José dos Campos, pela Rodovia Monteiro Lobato, a SP-50. De São Paulo, o caminho mais comum é seguir pela Rodovia Presidente Dutra ou pela Ayrton Senna até São José dos Campos e, de lá, subir a serra.

O trecho final tem curvas e subidas, e a paisagem muda aos poucos: os pastos dão lugar a matas, araucárias e morros cada vez mais altos. Muitas atrações ficam em estradas de terra, então vale ir com calma e checar as condições depois de dias de chuva. Com um carro comum dá para chegar à maioria dos lugares citados aqui, e o próprio caminho já é parte do passeio.

As cachoeiras de São Francisco Xavier

A cachoeira mais fácil de visitar é a Pedro David, com cerca de 15 metros de altura divididos em várias quedas, que formam poços entre grandes pedras. O acesso é gratuito, e o lugar tem estrutura com vestiários, banheiros, área para alimentação e playground, o que faz dela um bom programa para famílias com crianças. A cachoeira fica no Recanto Turístico Pedro David, e a trilha até as quedas é curta e bem marcada, acessível até para quem não tem costume de caminhar.

Cachoeira Pedro David descendo em duas quedas brancas entre grandes pedras escuras, sobre um poço de água cor de chá, em São Francisco Xavier
A Cachoeira Pedro David. Foto: Rafael Borges Mundim / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Rio abaixo, a água corre sobre lajes de pedra e forma poços de água verde, bons para molhar os pés em dia de calor.

Poço de água verde entre lajes de pedra e mata, no rio da Cachoeira Pedro David
Poço no rio da Cachoeira Pedro David. Foto: Márcia Cristina Machado / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

A mais alta das cachoeiras conhecidas do distrito é a do Sabão, com 25 metros em três quedas, dentro da Reserva Ecológica Augusto Ruschi. A lista segue com as cachoeiras das Couves, da Gruta, do Roncador e várias outras espalhadas pelos vales.

Outra opção é o Pouso do Rochedo, uma propriedade particular com um circuito de trilhas que passa por cachoeiras, mirantes e piscinas naturais. A visita é paga, por pessoa, e o passeio completo toma boa parte do dia, então vale sair cedo e levar lanche e água.

Lago verde refletindo o céu e um bosque de pinheiros, com pedras cobertas de musgo e uma pontezinha de madeira
O lago no ponto de partida da trilha do Pouso do Rochedo. Foto: Márcia Cristina Machado / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

A Cachoeira Pedro David, em São Francisco Xavier, tem cerca de 15 metros em várias quedas, acesso gratuito e estrutura com vestiários e playground.

Pico do Selado, Queixo d’Anta e os mirantes de São Francisco Xavier

O ponto mais alto do distrito é o Pico do Selado, com 2.082 metros de altitude, na divisa com Camanducaia, em Minas Gerais, e Joanópolis, em São Paulo. Lá de cima, a vista alcança Monte Verde, São José dos Campos e outras cidades da região. A subida é puxada e indicada para quem já tem experiência com trilhas de montanha.

Outro desenho que chama a atenção na paisagem é o do Queixo d’Anta, serra de 1.740 metros. Ao lado fica o Pico do Focinho d’Anta, com 1.712 metros. O Queixo d’Anta aparece ao longe em vários trechos das estradas rurais do distrito.

Para quem quer vista sem esforço, o programa é o Mirante da Pedra de São Francisco, também chamada de Pedra do Porquinho. O acesso é gratuito, com uma caminhada de poucos minutos a partir do estacionamento, e no alto há um restaurante com vista para a Serra da Mantiqueira. O caminho até lá passa por estradas de terra com pinheiros, hortênsias e gado pastando.

Estrada de terra com duas vacas, hortênsias azuis e pinheiros, no caminho para o Mirante da Pedra de São Francisco
A estrada para o Mirante da Pedra de São Francisco. Foto: Márcia Cristina Machado / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

O fim de tarde é o melhor horário para os mirantes, quando o sol se põe atrás das montanhas e o céu fica alaranjado. Com tanta montanha, o distrito também atrai praticantes de parapente, mountain bike e escalada.

Silhueta de uma cruz no alto de um morro diante do sol se pondo sobre as montanhas, com céu alaranjado
Pôr do sol na Área de Proteção Ambiental de São Francisco Xavier. Foto: Kleber Luz / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

O Pico do Selado, ponto mais alto de São Francisco Xavier, tem 2.082 metros de altitude.

A vila, a comida caipira e o muriqui

Depois das trilhas, o programa é voltar à vila. A igreja de São Francisco Xavier, de fachada azul, fica na Praça Cônego Antônio Manzi, e as ruas em volta reúnem restaurantes, cafés e lojas de artesanato em tecido e madeira, além de produtos da roça, como geleias e doces caseiros. Muitos sítios da região também vendem verduras e frutas orgânicas direto do produtor.

A cozinha local é caipira. No cardápio aparecem pratos com pinhão, o bolinho caipira e o João Deitado, pão tradicional da região. O calendário tem festas populares como a do Tropeiro e a de São Gonçalo, que mantêm vivas as tradições do tempo em que a vila era parada de tropas.

As matas da região também guardam o muriqui, o maior primata das Américas, ameaçado de extinção pela destruição da Mata Atlântica. Avistar um deles na mata é raro, mas a presença do muriqui é um dos motivos da proteção ambiental da serra.

Quando ir

Cada estação tem seu encanto. O verão é mais quente e chuvoso, e a melhor época para as cachoeiras. Outono e primavera têm temperaturas amenas e menos movimento. No inverno, as noites são geladas, e os dias secos costumam deixar a vista dos mirantes mais limpa.

Na mesma serra, vale conhecer também a Pedra do Baú, em São Bento do Sapucaí, a Cachoeira dos Pretos, em Joanópolis, cidade vizinha do Pico do Selado, e Campos do Jordão.

São Francisco Xavier segue com cara de vila de montanha, e um fim de semana dá para alternar cachoeira, mirante e mesa caipira sem olhar o relógio.

Você prefere o mirante fácil ou encarar a subida do Pico do Selado?

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