Trem turístico com locomotiva de 1952 e vagões de inox leva de SP a Paranapiacaba, Jundiaí e Mogi

Locomotiva diesel vermelha ALCO RS-3 do Expresso Turístico da CPTM parada nos trilhos diante de um galpão de tijolos em Paranapiacaba
A locomotiva ALCO RS-3 do Expresso Turístico em Paranapiacaba. Foto: Ariadne Barroso / Wikimedia Commons, CC BY 4.0 (recortada

Nos fins de semana, um trem diferente sai da Estação da Luz, no centro de São Paulo. Puxado por uma locomotiva diesel de 1952 e formado por vagões de aço inox dos anos 1960, o Expresso Turístico da CPTM leva passageiros para passar o dia em três destinos ferroviários: a vila inglesa de Paranapiacaba, Jundiaí e Mogi das Cruzes.

O passeio funciona desde abril de 2009 e é tão procurado que as passagens costumam esgotar em menos de cinco minutos depois de abertas no site. Em abril de 2026, o trem completou 17 anos de operação, e o calendário deste ano vai até dezembro, com saídas em quase todos os fins de semana.

Como funciona o Expresso Turístico

O embarque começa às 8h, nas plataformas da Estação da Luz, e o trem parte às 8h30. A chegada ao destino está prevista para cerca de 10h30, e a volta sai às 16h30, com chegada à Luz por volta das 18h30. Entre a chegada e a volta, o passageiro fica livre por cerca de seis horas para passear na cidade.

A própria partida já faz parte do passeio. A Estação da Luz, inaugurada em 1901 pela São Paulo Railway, é um dos prédios ferroviários mais bonitos do país, com torre de relógio e estrutura de ferro trazida da Inglaterra, e abriga o Museu da Língua Portuguesa.

Fachada amarela e vermelha da Estação da Luz, ponto de partida do Expresso Turístico, com torre do relógio e janelas em arco
A Estação da Luz, de onde parte o Expresso Turístico. Foto: Cralize, edição de Gaf.arq / Wikimedia Commons, domínio público (recortada)

As passagens são vendidas apenas no site da CPTM, com abertura mensal, e há desconto para quem compra para mais de uma pessoa. Como a procura é grande, o ideal é acompanhar a data de abertura das vendas e estar com tudo pronto na hora.

Pelo calendário da CPTM, ainda há viagens em 3, 4, 10, 11, 12, 17, 18, 24, 25 e 31 de outubro, em vários fins de semana e feriados de novembro, a maioria para Paranapiacaba, e em 5, 6, 12, 13, 19 e 20 de dezembro, principalmente para Jundiaí e Paranapiacaba. O destino de cada data aparece no site da CPTM.

A locomotiva de 1952 e os vagões de inox do Expresso Turístico

Parte da graça está no próprio trem. A locomotiva é uma ALCO RS-3, a diesel, fabricada em 1952, e os carros de passageiros são de aço inoxidável, feitos no Brasil pela Budd-Mafersa nos anos 1960 e cedidos pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária.

Vagões prateados de aço inox do Expresso Turístico, com janelas arredondadas, parados na estação entre morros verdes
Os carros de aço inox dos anos 1960 do Expresso Turístico. Foto: Ariadne Barroso / Wikimedia Commons, CC BY 4.0 (recortada)

A composição tem 352 lugares e espaço reservado para cadeira de rodas, com pontos de fixação de segurança. Pela janela, o passageiro acompanha a saída da capital e a paisagem de cada trajeto, enquanto aprende um pouco da história ferroviária da região.

O Expresso Turístico usa uma locomotiva ALCO RS-3 de 1952 e vagões de inox dos anos 1960, com 352 lugares.

Paranapiacaba, o destino mais procurado

A viagem mais disputada é a de Paranapiacaba, vila ferroviária construída pelos ingleses no alto da Serra do Mar, em Santo André. Lá o passageiro encontra casas de madeira, o relógio inspirado no Big Ben, a neblina frequente e a história do antigo sistema de trens puxados por cabos, que contamos em detalhe no artigo sobre a vila inglesa de Paranapiacaba.

Torre do relógio de Paranapiacaba ao lado do pátio ferroviário, com trens e a serra coberta de neblina ao fundo
A torre do relógio e o pátio ferroviário de Paranapiacaba, destino mais procurado do Expresso Turístico. Foto: Eduardobgatti / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Nos fins de semana de mais movimento, a vila tem restaurantes, cafés e feiras, e as seis horas livres dão para caminhar entre as ruas da parte baixa e subir à parte alta, onde fica a igreja. O trajeto até lá tem cerca de 48 quilômetros, e como a vila fica no alto da serra, vale levar agasalho mesmo nos dias quentes na capital, além de calçado confortável para as ladeiras.

Jundiaí, pela ferrovia de 1867

A viagem para Jundiaí segue o traçado da primeira ferrovia paulista, aberta em 1867 pela São Paulo Railway, empresa de capital inglês criada para levar o café do interior até o porto de Santos.

Em Jundiaí, um dos passeios ligados aos trilhos é o Complexo Fepasa, hoje chamado de Espaço Expressa, antigo conjunto de oficinas ferroviárias tombado pelo Iphan, o órgão federal de patrimônio. O complexo tem 111 mil metros quadrados e abriga o Museu da Companhia Paulista, com locomotivas históricas. A cidade também tem a Serra do Japi, uma das maiores áreas de mata do interior paulista, e é porta de entrada do Circuito das Frutas e de vinícolas, como a fazenda do século 19 que contamos no artigo sobre a fazenda que hospedou um imperador.

Prédio de tijolos aparentes com janelas em arco e pinheiros na frente, sede do Museu da Companhia Paulista em Jundiaí
Legenda: O Museu da Companhia Paulista, em Jundiaí. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)
O Museu da Companhia Paulista, em Jundiaí. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Mogi das Cruzes, pela antiga Central do Brasil

O terceiro destino é Mogi das Cruzes, no Alto Tietê, a cerca de 48 quilômetros da Luz, num trajeto que usa trilhos da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil.

No centro histórico de Mogi, o conjunto das igrejas do Carmo é tombado pelo Iphan, e o Casarão do Carmo, construção do século 19 restaurada pela prefeitura, abriga o Museu Visconde de Mauá e espaço para exposições. Um pouco mais longe, na zona rural, fica o Casarão do Chá, construído por imigrantes japoneses em 1942, todo em madeira e com encaixes no lugar de pregos, com entrada gratuita. O casarão é um retrato da forte presença da imigração japonesa em Mogi, que se vê também na culinária e nas festas da cidade.

Para quem gosta de trens, vale conhecer também a Estação Ferroviária de Sabaúna, no distrito de mesmo nome, em Mogi. A primeira estação foi aberta em 1893, na linha da Central do Brasil que ligava São Paulo ao Rio de Janeiro, e o prédio atual é de 1932. Desde 2014, ele abriga um Museu Ferroviário, com objetos, documentos e fotos da época dos trens, e o conjunto preserva ainda a antiga casa do chefe da estação. O Expresso Turístico não para em Sabaúna, então o passeio fica como extensão para quem vai de carro.

Pequena locomotiva cinza e vermelha exposta nos trilhos diante da estação de Sabaúna, em Mogi das Cruzes
A Estação Ferroviária de Sabaúna, em Mogi das Cruzes. Foto: Acervo Prefeitura Municipal de Mogi das Cruzes, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O Expresso Turístico sai da Estação da Luz às 8h30 e volta dos destinos às 16h30, nos fins de semana.

Quem não conseguir passagem pode chegar a Jundiaí e a Mogi das Cruzes pelos trens metropolitanos comuns da CPTM, pelas linhas 7 e 11, sem o charme da locomotiva antiga, mas com o mesmo destino.

Outros passeios de trem no interior paulista são a Maria Fumaça entre Campinas e Jaguariúna e o trem de Guararema.

O Expresso Turístico sai da capital todo fim de semana e é um jeito diferente de chegar a três cidades de história ferroviária sem pegar estrada.

Para qual destino você iria no Expresso Turístico?

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