Ibitinga tem feira de bordado com mais de 500 barracas, museu com obra de Tarsila e passeio de barco

Vista aérea da barragem da usina hidrelétrica de Ibitinga no Rio Tietê, com a represa verde de um lado e o rio entre matas do outro
A usina hidrelétrica de Ibitinga, no Rio Tietê. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Até 18 de outubro, as ruas do centro de Ibitinga viram uma grande vitrine de toalhas, panos de prato e jogos de cama na 5ª Expo Bordado. É só uma amostra do que a cidade faz o ano inteiro: conhecida como a Capital Nacional do Bordado e dos Enxovais, Ibitinga vive da linha e da agulha há mais de um século.

Mas quem vai só para as compras perde metade da viagem. A cidade, no centro do estado, tem um museu com obras de Tarsila do Amaral e Volpi, uma matriz de 1914, uma procissão enfeitada com bordados e rios limpos para passear de barco.

Ibitinga, a capital do bordado

O bordado chegou a Ibitinga no começo do século 20, com imigrantes e migrantes. Nos anos 1940, mulheres da cidade espalharam o ofício nas máquinas de costura e organizaram as primeiras redes de venda, e nos anos 1970 a produção virou indústria, com máquinas elétricas adaptadas na própria cidade.

Ibitinga, a Capital Nacional do Bordado, tem feira de artesanato todo sábado com mais de 500 barracas.

A grande vitrine é a Feira do Bordado, que acontece desde 1974 na primeira quinzena de julho. Em 2026 ela chegou à 50ª edição, com cerca de 150 expositores num pavilhão de 25 mil metros quadrados e público estimado em 180 mil pessoas.

Expo Bordado até 18 de outubro

Nos últimos anos, a cidade ganhou uma segunda vitrine no calendário. A Expo Bordado, organizada pela prefeitura, leva as lojas do setor e os artesãos da feira de sábado para as ruas do centro, que viram um grande corredor de compras ao ar livre.

A 5ª edição vai de 8 a 18 de outubro de 2026, com bordados, enxovais, peças especiais e programação musical durante os dias de evento. Para quem quer renovar a casa antes do fim do ano, é a melhor época para conhecer Ibitinga.

A feira de sábado em Ibitinga

Para quem não vai em julho nem em outubro, a melhor hora é sábado. A Feira de Artesanato toma o centro com mais de 500 barracas de panos de prato, almofadas, tapetes, jogos de cama, mesa e banho, toalhas bordadas e enxovais.

Panos de prato bordados com rosas cor-de-rosa e prateleiras cheias de toalhas e enxovais coloridos numa banca da feira de Ibitinga
Bordados e enxovais na Feira de Artesanato. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O ponto de partida é a Praça Rui Barbosa, o marco zero da cidade, com coreto, palmeiras e um chafariz com leões de pedra. Além da feira, as ruas em volta concentram lojas de fábrica e ateliês de bordado.

Chafariz com leões de pedra na Praça Rui Barbosa, com coreto branco e palmeiras ao fundo
A Praça Rui Barbosa, marco zero da cidade. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Museu com Tarsila e Volpi

No Museu e Arquivo Histórico Municipal e Centro Artístico Duílio Galli, o acervo tem mais de 130 obras, entre pinturas a óleo, gravuras, desenhos e serigrafias. Os destaques são trabalhos de Tarsila do Amaral e Alfredo Volpi, dois nomes centrais da arte moderna brasileira.

Sala do museu com quadros antigos na parede, móveis de madeira e uma placa entalhada com o nome Ibitinga
Parte do acervo do Museu Duílio Galli. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O museu também guarda objetos e documentos da história de Ibitinga, e leva o nome do artista que pintou a Via Sacra da Matriz.

Matriz do Senhor Bom Jesus e o Corpus Christi

Inaugurada em 1914, a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus é um dos patrimônios históricos da região. Lá dentro estão a Via Sacra pintada por Duílio Galli e a imagem do Senhor Bom Jesus esculpida em madeira.

Vista aérea da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, branca, cercada de árvores e ruas do centro
A Matriz do Senhor Bom Jesus, de 1914. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A festa mais bonita da cidade é o Corpus Christi. As ruas e a igreja são enfeitadas com bordados e tecidos, e os fiéis percorrem dez quarteirões na procissão.

Fiéis em frente à igreja enfeitada com grandes tecidos azuis, amarelos e verdes na festa de Corpus Christi
A decoração de Corpus Christi. Foto: Acervo Prefeitura Municipal de Ibitinga, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Passeio de barco pelos rios

Ibitinga é cercada de água. O Rio Jacaré-Guaçu corta a cidade e é o preferido de quem gosta de lancha, barco e esqui aquático, com ranchos e clubes náuticos nas margens que oferecem passeios e pesca. Na primeira semana de fevereiro, ele recebe a Procissão de Nossa Senhora dos Navegantes, com barcos enfeitados.

Vista aérea do Rio Jacaré-Guaçu fazendo curvas entre plantações verdes e matas ciliares
O Rio Jacaré-Guaçu. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O Jacaré-Guaçu deságua no Tietê, que nesse trecho tem água limpa, bem longe da imagem que o rio tem na capital. No Tietê fica a usina hidrelétrica de Ibitinga, com uma eclusa da hidrovia Tietê-Paraná, que pode ser vista por quem passeia de barco pela represa.

Na várzea dos rios Jacaré-Pepira e Jacaré-Guaçu fica o Pantaninho, uma área de proteção ambiental alagada que lembra o Pantanal, com capivaras, cervo-do-pantanal e lobo-guará. O município tem ainda cinco rios e centenas de nascentes, e o Jacaré-Pepira, que passa por Brotas antes de chegar ao Tietê, é considerado um dos rios mais limpos do estado.

Dicas para visitar Ibitinga

Ibitinga fica a cerca de 360 quilômetros de São Paulo. Para as compras, chegue cedo no sábado, quando a feira está cheia e as barracas ainda têm toda a variedade, e leve sacola grande. Na hora do almoço, prove o peixe de rio, prato mais servido da região.

Para os passeios de barco, combine com os ranchos e clubes do Jacaré-Guaçu. Quem quer ver uma eclusa funcionando de perto pode emendar com Barra Bonita, também no Tietê, e quem prefere aventura encontra o Jacaré-Pepira em Brotas.

Pano de prato bordado na sacola, Tarsila na parede do museu e o pôr do sol no rio: Ibitinga mostra que a cidade do bordado tem muito mais a oferecer.

Você é do time que volta da feira com o carro cheio de enxoval?

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.