Pindamonhangaba tem palacete do café, bosque da Princesa Isabel e templo Hare Krishna com pavões

Fachada amarela do Palacete Palmeira, em Pindamonhangaba, com janelas em arco, sacada de ferro e bandeiras na entrada
O Palacete Palmeira, hoje Museu Histórico e Pedagógico D. Pedro I e Dona Leopoldina. Foto: Themium / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

No século 19, o café transformou os fazendeiros de Pindamonhangaba em barões e viscondes. Com o dinheiro dos cafezais, eles ergueram no centro da cidade palacetes com salões amplos, lustres de cristal e cúpulas pintadas, que até hoje estão de pé.

A cerca de duas horas de São Paulo, no Vale do Paraíba, Pinda, como é chamada, guarda esses casarões, um bosque que recebeu a Princesa Isabel e, aos pés da Serra da Mantiqueira, a maior comunidade Hare Krishna da América Latina, com templo e pavões andando pelo gramado.

Palacete Palmeira, o museu do Império

O casarão mais visitado de Pindamonhangaba é o Palacete Palmeira, construído em meados do século 19 como residência do cafeicultor Visconde da Palmeira. Feito de taipa e pau a pique, em estilo neoclássico, ele é tombado pelo Condephaat e hoje abriga o Museu Histórico e Pedagógico D. Pedro I e Dona Leopoldina.

Salão do museu com piso de tacos desenhados, lustre de cristal, janelas em arco e retratos antigos em cavaletes
Um dos salões do Museu D. Pedro I e Dona Leopoldina. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Por dentro, o palacete impressiona tanto quanto o acervo. Os salões têm piso de tacos desenhados, janelas em arco, lustres e retratos de época, além de mobília dos séculos 19 e 20, como cadeiras douradas estofadas em veludo vermelho.

Sala do Palacete Palmeira, em Pindamonhangaba, com cadeiras douradas estofadas em vermelho, vasos e piso de madeira
Mobília dos séculos 19 e 20 no Palacete Palmeira. Foto: Themium / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

O ponto alto é a cúpula, com claraboia de vidro e anjos pintados em medalhões, restaurada numa reforma recente. O museu conta a história da cidade e da elite do café e fica na Rua Marechal Deodoro da Fonseca, 260. Abre de terça a domingo, das 9h às 17h.

Cúpula do museu vista de baixo, com claraboia de vidro no centro e anjos pintados em medalhões
A cúpula pintada do museu, depois da reforma. Foto: Isaac Arrais / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

O Palacete Palmeira, em Pindamonhangaba, é um casarão do café do século 19 que virou museu, com salões e cúpula pintada.

Palacete 10 de Julho e o centro histórico de Pindamonhangaba

Também no centro fica o Palacete 10 de Julho, construído nos anos 1870 para ser a residência dos barões de Itapeva. O prédio de três andares foi tombado pelo Condephaat em 1969 e ganhou tombamento provisório do patrimônio federal em 2024. Como funciona como sede da prefeitura, o passeio é admirar a fachada.

No mesmo centro histórico ficam o Palacete Tiradentes, de 1864, que já foi Câmara e cadeia e hoje abriga o Departamento de Turismo, e o Santuário de Nossa Senhora do Bonsucesso, que preserva traços do começo do século 18. Uma caminhada pelo centro de Pinda é uma aula sobre os tempos do café.

Outro prédio que chama a atenção é o do Grupo Escolar Dr. Alfredo Pujol, construído em 1902, com cerca de 2 mil metros quadrados e fachada cheia de detalhes. Ele é um exemplo dos grandes grupos escolares que o estado ergueu no começo da República, quando a escola pública virou símbolo de progresso nas cidades do café.

Fachada amarela com colunas, escadaria e janelas em arco do Grupo Escolar Dr. Alfredo Pujol, no centro de Pindamonhangaba
O Grupo Escolar Dr. Alfredo Pujol, de 1902. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Para provar sabores da região, vale passar também pelo Mercado Municipal, que vende produtos regionais.

Bosque da Princesa, em Pindamonhangaba

À beira do Rio Paraíba do Sul, o Bosque da Princesa é o parque mais charmoso da cidade. O nome tem motivo: a Princesa Isabel e o marido, o Conde d’Eu, estiveram ali, e algumas das plantas foram doadas pelo próprio Dom Pedro II.

Lago com estátua e jardim entre árvores altas e sombreadas no Bosque da Princesa, em Pindamonhangaba
O lago do Bosque da Princesa. Foto: Facs90 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

São cerca de 640 árvores de 52 espécies, nativas e exóticas, em volta de um lago com estátua, com parque infantil e caminhos à sombra. É um bom lugar para descansar entre um passeio e outro.

Fazenda Nova Gokula, a comunidade Hare Krishna

No bairro Ribeirão Grande, já na subida da Mantiqueira, fica a Fazenda Nova Gokula, uma comunidade Hare Krishna criada em 1978 e considerada a maior da América Latina. O templo, laranja e branco, fica no alto de um gramado, cercado de mata, árvores exóticas e trilhas.

Templo laranja e branco da Fazenda Nova Gokula no alto de um gramado, com escadaria e a mata da Mantiqueira ao fundo
O templo da Fazenda Nova Gokula. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Os moradores criam vacas, cavalos, aves e muitos pavões, que enfeitam os jardins. Aos sábados e domingos, das 12h às 16h, o restaurante vegano da comunidade, com toques da culinária indiana, recebe o público. É um passeio diferente, de paz e silêncio, no meio da natureza. A comunidade também organiza festivais abertos ao público ao longo do ano, como a festa das cores, o Holi, que já reuniu cerca de 2 mil pessoas, com música, dança e comida vegetariana.

Ao pé da Mantiqueira

A zona rural de Pindamonhangaba sobe até a Serra da Mantiqueira, cortada por rios de água clara que descem para o Paraíba, como o Piracuama. Nessa região fica a Cachoeira dos Búfalos, considerada uma das mais bonitas do Vale do Paraíba, num cenário de mata e pedras ao pé da serra. Vale ir com tênis e checar as condições da estrada de terra antes de sair. Na divisa com Campos do Jordão fica o Pico do Itapeva, com uma das vistas mais famosas da serra, que contamos no nosso roteiro de Campos do Jordão.

Rio de águas claras correndo sobre pedras arredondadas entre a mata e o capim
O Rio Piracuama, na zona rural de Pindamonhangaba. Foto: Themium / Wikimedia Commons, CC0 (recortada)

Pindamonhangaba fica a menos de duas horas de São Paulo, pela Via Dutra. O centro, com os palacetes, o museu e o Bosque da Princesa, dá para fazer a pé em uma manhã. Para a Nova Gokula e a serra, o carro é indispensável.

Como o museu fecha às segundas e o restaurante da Nova Gokula só abre nos fins de semana, o melhor é ir de sábado ou domingo. Dá para combinar com as vizinhas Tremembé e Taubaté, no mesmo trecho do Vale do Paraíba.

Salões de barão, uma princesa no bosque e pavões ao pé da serra: Pindamonhangaba é muito mais do que o nome comprido que todo mundo erra.

Dicas para visitar Pindamonhangaba

Você sabia que Pindamonhangaba tem a maior comunidade Hare Krishna da América Latina?

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.