Areias tem fazenda de 1837 com jardim de Burle Marx e o hotel onde Dom Pedro I dormiu em 1822

Ilustração de um casarão colonial branco no alto de um jardim tropical em terraços, com espelhos d'água, palmeiras e a serra ao fundo
Ilustração criada com inteligência artificial inspirada na Fazenda Vargem Grande e no jardim de Burle Marx, em Areias. Não é uma fotografia

Em 1822, a caminho de São Paulo, o príncipe Dom Pedro parou para dormir em Areias, então uma pequena vila do Vale do Paraíba. Pouco depois, às margens do Ipiranga, ele proclamaria a Independência. O casarão onde ele passou a noite continua de pé e ainda recebe hóspedes.

Areias, no Vale Histórico paulista, foi uma das primeiras cidades do estado a plantar café. Além do hotel do imperador, ela guarda o fórum onde Monteiro Lobato trabalhou como promotor e, na zona rural, uma fazenda de 1837 com um dos jardins mais impressionantes criados por Roberto Burle Marx.

Fazenda Vargem Grande e o jardim de Burle Marx

A 20 quilômetros do centro de Areias, aos pés da Serra da Bocaina, fica a Fazenda Vargem Grande, uma antiga produtora de café com casarão de 1837, da época dos barões do café. Em 1973, ela foi comprada e restaurada por Clemente Fagundes Gomes, amigo de Roberto Burle Marx.

A convite dele, o paisagista transformou o antigo terreiro de café num jardim tropical em três níveis, alimentado pela água do velho lavador de café. Há esculturas de pedra, cascatas, espelhos d’água com plantas aquáticas como a vitória-régia e uma coleção de espécies trazidas das expedições de Burle Marx. O jardim muda de cara a cada estação.

Em Areias, Burle Marx transformou o antigo terreiro de café de uma fazenda de 1837 num jardim com cascatas e espelhos d’água.

A fazenda recebe hóspedes e também visitantes de um dia, das 9h às 16h, sempre com agendamento obrigatório. Na visita, dá para passear pelo jardim, nadar nas piscinas naturais, almoçar comida feita no fogão a lenha e, para quem tem fôlego, caminhar com guia até uma cachoeira, a cerca de 50 minutos da sede. A fazenda não aceita animais de estimação.

Hotel Sant’Ana, onde Dom Pedro I dormiu

No centro de Areias, o Hotel Sant’Ana ocupa um casarão inaugurado em 1798, o antigo solar do capitão-mor. Foi ali que Dom Pedro passou a noite em 1822, na viagem que terminaria com o grito da Independência.

Fachada branca do Hotel Sant'Ana, em Areias, com janelas e sacadas de ferro emolduradas em verde e a placa do hotel e restaurante
O Hotel Sant’Ana, onde Dom Pedro I passou a noite em 1822. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Mais de dois séculos depois, o casarão branco de janelas verdes continua funcionando como hotel e restaurante. Mesmo quem não vai se hospedar pode parar para almoçar e conhecer o prédio por dentro.

Casa da Cultura, o fórum de Monteiro Lobato

Outro endereço histórico é a Casa da Cultura, no antigo fórum de Areias, que funcionou de 1858 a 1937 e também já abrigou a cadeia e a Câmara. Entre 1907 e 1911, foi ali que um jovem promotor chamado José Bento Monteiro Lobato trabalhou, antes de se tornar o escritor do Sítio do Picapau Amarelo.

Prédio branco de dois andares da Casa da Cultura de Areias, antigo fórum onde Monteiro Lobato trabalhou, com jardim e estátua na frente
A Casa da Cultura, antigo fórum da cidade. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Hoje o prédio abriga a Secretaria de Cultura e Patrimônio Histórico e reúne memórias da cidade. Quem gosta de Lobato pode completar o roteiro em Monteiro Lobato, a cidade do Sítio, também no Vale do Paraíba.

Casarões do centro de Areias

O centro de Areias é pequeno e dá para fazer a pé, olhando os casarões coloniais que sobraram dos tempos do café. Um dos mais bonitos é o da Prefeitura, um sobrado do século 18 que foi sede da Câmara Municipal, com portas azuis, janelas vermelhas e sacadas de ferro.

Casarão colonial amarelo de dois andares, com portas azuis, janelas vermelhas e sacadas de ferro, sede da Prefeitura de Areias
O casarão da Prefeitura, antiga Câmara Municipal. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

No caminho, a Casa do Artesão vende peças de bambu, palha e barbante feitas pelos moradores, além de doces, biscoitos caseiros e cachaças da região. E vale procurar a Velha Figueira, árvore centenária ligada à origem da cidade: pela tradição local, no começo do século 18 ela já servia de ponto de descanso para os tropeiros que cruzavam o vale.

Igreja Matriz de Sant’Ana

A Igreja Matriz de Sant’Ana, com suas duas torres, domina a paisagem do centro. As obras começaram em 1792 e só terminaram em 1874. A igreja guarda um sino trazido da Bélgica, com mais de uma tonelada, doado em 1863.

Praça Nove de Julho com bancos e jardim, casarão branco e azul e as duas torres da Igreja Matriz de Sant'Ana ao fundo
A Praça Nove de Julho e a Matriz de Sant’Ana. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Em frente à igreja, a Praça Nove de Julho homenageia os moradores de Areias que lutaram na Revolução Constitucionalista de 1932.

Mirante e cachoeiras de Areias

Para ver a cidade de cima, suba ao mirante, construído em 2010 num dos pontos mais altos de Areias, com capela, cruzeiro e a estátua do Cristo. A vista alcança os telhados coloniais e os morros do Vale do Paraíba.

Capelinha branca, cruzeiro de madeira e estátua do Cristo no alto do morro do mirante, sob céu azul com nuvens
O mirante da cidade, com a capela e o Cristo. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Na zona rural, as cachoeiras mais procuradas são a do Inácio, famosa pela água cristalina, e as do Conde. Areias também é uma das portas de acesso ao Parque Nacional da Serra da Bocaina.

Dicas para visitar Areias

Areias fica a cerca de 240 quilômetros de São Paulo, pela Via Dutra e depois pela Rodovia dos Tropeiros, a antiga estrada Rio–São Paulo. Na chegada, o portal da cidade já dá o tom colonial do passeio.

Portal de entrada de Areias, construção branca em estilo colonial sobre a estrada, com morros verdes ao fundo
O portal de entrada de Areias. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Para conhecer a Fazenda Vargem Grande, agende antes pelos canais oficiais da fazenda. Dá para montar um roteiro de dois ou três dias pelo Vale Histórico, juntando Areias com Silveiras, a cidade dos tropeiros, e com as fazendas de café de Bananal.

Um imperador de passagem, um promotor que virou escritor e um jardim que nasceu num terreiro de café: Areias tem mais história por metro quadrado do que muita cidade grande.

Você sabia que Dom Pedro I dormiu em Areias dias antes da Independência?

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.