Salesópolis guarda a nascente do Rio Tietê, com água limpa de beber, trilhas e usina centenária

Ciclistas numa estrada de terra entre araucárias, com a represa azul e as montanhas da Serra do Mar ao fundo, em Salesópolis
Represa em Salesópolis, na Serra do Mar. Foto: Fabricio macedo / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Quem conhece o Rio Tietê só pelas marginais de São Paulo nem imagina como ele começa. A cerca de 100 quilômetros da capital, em Salesópolis, o rio brota de um fio de água cristalina no meio da Mata Atlântica, tão limpa que dá para beber direto da fonte.

A pequena estância da Serra do Mar tem ainda uma usina centenária que virou museu, cachoeiras com trilha curta, casarões coloniais e uma igreja com o teto todo pintado. É um passeio de natureza para fazer em um dia, sem pressa.

A nascente do Rio Tietê em Salesópolis

O principal passeio da cidade é o Parque Nascentes do Tietê, no bairro Pedra Rajada, a 17 quilômetros do centro. São 1,34 milhão de metros quadrados de mata preservada, que protegem as várias minas de água que formam o rio.

Placa de madeira com o nome Tietê na trilha do Parque Nascentes do Tietê, em Salesópolis, no meio da Mata Atlântica
Trilha no Parque Nascentes do Tietê. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O parque tem quatro trilhas ecológicas: a da Nascente, a da Araucária, a da Pedra e a do Bosque. No caminho há bicas onde os visitantes enchem a garrafa com a água do Tietê recém-nascido. Há ainda a Sala das Águas, onde se aprende a analisar a qualidade da água, e um pequeno museu com fotos antigas do rio.

O parque abre todos os dias, das 8h às 17h, e cobra uma taxa simbólica de conservação na portaria. Durante a semana, ele recebe muitas excursões de escolas, e grupos podem agendar visitas monitoradas, com educadores que explicam a importância das nascentes e da mata para a água que chega às torneiras.

Em Salesópolis, o Tietê nasce tão limpo que os visitantes enchem a garrafa direto da fonte.

Por que o Tietê corre para o interior

A nascente fica a cerca de 1.120 metros de altitude e a uns 22 quilômetros do mar, em linha reta. Mesmo assim, o rio não desce para o litoral: o paredão da Serra do Mar bloqueia o caminho, e a água segue no sentido contrário, rumo ao interior.

São cerca de 1.100 quilômetros atravessando o estado até o Rio Paraná, passando por Mogi das Cruzes, pela capital, por Salto, onde forma uma cachoeira no centro, e por Barra Bonita, com a famosa eclusa. Não à toa, a nascente é considerada um marco do estado de São Paulo: foi seguindo o Tietê que bandeirantes e monçoeiros entraram pelo sertão. Ver o começo dessa viagem ajuda a entender por que vale tanto a pena cuidar do rio.

Museu da Energia, numa usina de 1913

Na Estrada dos Freires fica a primeira usina hidrelétrica do percurso do Tietê, inaugurada em 1913. Hoje ela é o Museu da Energia de Salesópolis, cercado por um parque com trechos de Mata Atlântica, lago e trilhas.

Lago cercado de mata e pinheiros no parque do Museu da Energia de Salesópolis, com morros verdes ao fundo
O parque da antiga usina, hoje Museu da Energia. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A visita junta a antiga usina, o Espaço Energia, área interativa que explica como a eletricidade é produzida, e passeios ao ar livre pelo parque. O museu abre de terça a sábado, das 10h às 17h, com ingresso pago, e grupos podem agendar visita guiada.

Casarão do Café, com garapa da roda d’água

Para uma parada com cheiro de roça, o endereço é o Casarão do Café. O destaque é o café colonial, com pães, bolos e doces caseiros, servido numa casinha antiga de tijolos.

Construção antiga de tijolos aparentes e telhado colonial no Casarão do Café, com pátio de tijolos e peças antigas na frente
O Casarão do Café. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Outra atração é a garapa feita do jeito antigo: uma roda d’água move a moenda que esmaga a cana. A propriedade tem ainda trilhas na mata e um riacho que corre entre as pedras.

Riacho com corredeira sobre pedras, entre mata fechada e gramado, na área do Casarão do Café, em Salesópolis
Riacho na área do Casarão do Café. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Casarão Senzala, restaurante num casarão do século 18

O Casarão Senzala é um casarão colonial do século 18 com uma história pesada: o lugar foi usado no comércio de pessoas escravizadas. Hoje ele funciona como restaurante de comida típica e guarda um acervo de objetos daquele período, que ajuda a lembrar uma parte da história que não pode ser esquecida.

Casarão de taipa com telhado de barro e jardim florido com vasos, no restaurante Casarão Senzala, em Salesópolis
O Casarão Senzala, hoje restaurante. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Igreja Matriz de São José

No centro de Salesópolis, a Igreja Matriz de São José aparece de vários pontos da cidade. A fachada é neoclássica, mas a surpresa está do lado de dentro.

Interior da Igreja Matriz de São José com teto em abóbada todo pintado, arcos coloridos e vitrais
O interior pintado da Igreja Matriz de São José. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O teto em abóbada é inteiramente pintado, com arcos coloridos, desenhos florais e vitrais que filtram a luz sobre o altar. Vale entrar com calma e olhar para cima.

Cachoeiras de Salesópolis

A cidade tem várias quedas-d’água com acesso fácil. A Cachoeira da Porteira Preta é a mais tranquila, com trilha curta, banheiro e lanchonete. A Cachoeira do Ponto fica a 7 quilômetros do centro, e as cachoeiras do Tobogã e do Zé Bim são populares entre ciclistas, que encaram subidas de terra para chegar até elas.

No caminho, as represas da região, como a de Ponte Nova, que abastece a Grande São Paulo, formam paisagens com araucárias e montanhas ao fundo.

Dicas para visitar Salesópolis

Salesópolis fica a cerca de 100 quilômetros de São Paulo, depois de Mogi das Cruzes. O carro é a melhor opção, porque os passeios ficam espalhados pela zona rural e parte das estradas é de terra.

Um bom roteiro de um dia: Parque Nascentes do Tietê pela manhã, almoço no Casarão Senzala ou em outro restaurante da cidade, Matriz no centro e, à tarde, Museu da Energia ou uma cachoeira. Lembre que o museu fecha aos domingos e às segundas.

Leve garrafa para encher na nascente, tênis para as trilhas e roupa de banho se o plano incluir cachoeira.

Poucos rios deixam a gente ver o próprio começo de tão perto. Em Salesópolis, o Tietê ainda é um fio de água limpa no meio da mata.

Você já sabia que o Tietê nasce limpo, a 100 quilômetros de São Paulo?

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.