Intervales tem grutas com monitor, cachoeiras na Mata Atlântica e 405 espécies de aves no sul de SP

Cachoeira branca caindo entre a mata fechada num poço de água clara com pedras cobertas de musgo, no Parque Estadual Intervales
Cachoeira no Parque Estadual Intervales. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

No sul do estado de São Paulo, entre o planalto e o Vale do Ribeira, existe um parque onde dá para entrar numa gruta de pedras rosadas de manhã, tomar banho de cachoeira à tarde e dormir no meio da mata. É o Parque Estadual Intervales, com sede em Ribeirão Grande, um dos destinos mais procurados por quem gosta de natureza e de observar aves.

O parque protege uma das maiores áreas contínuas de Mata Atlântica do estado e faz parte do conjunto de reservas reconhecido pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade. E, ao contrário de muitos parques da região, tem pousada e restaurante lá dentro, o que permite ficar mais de um dia e aproveitar com calma.

Um dos maiores pedaços de Mata Atlântica do estado

Intervales foi criado em 1995 e tem cerca de 42 mil hectares, espalhados por cinco municípios: Ribeirão Grande, Guapiara, Iporanga, Sete Barras e Eldorado. A área fica entre os vales dos rios Paranapanema e Ribeira de Iguape, e é toda coberta por mata, cortada por rios, cachoeiras e cavernas.

Vista do alto de um lago cercado por morros cobertos de mata fechada no Parque Estadual Intervales
Lago e mata no Parque Estadual Intervales. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A fauna é o que mais chama atenção dos pesquisadores. Já foram registradas no parque 405 espécies de aves, 121 de mamíferos e 101 de anfíbios, além de répteis, peixes e centenas de invertebrados. Ao todo, 325 espécies que vivem ali aparecem em alguma lista de ameaça, o que faz de Intervales uma área-chave para a conservação no estado.

O Parque Estadual Intervales tem 405 espécies de aves registradas e cerca de 42 mil hectares de Mata Atlântica.

Observação de aves em Intervales

Com tantas espécies num só lugar, Intervales virou endereço conhecido de quem pratica a observação de aves, o birdwatching. Observadores de outras regiões do país voltam ao parque com binóculos e câmeras, atrás de espécies que são difíceis de encontrar em outros lugares, muitas delas ameaçadas.

Quem nunca observou aves também pode aproveitar. As primeiras horas da manhã costumam ser as mais movimentadas, quando as aves estão mais ativas. Leve binóculo, roupa de cores neutras e paciência: em silêncio, a mata mostra muito mais.

Grutas de Intervales

As grutas são um dos passeios mais procurados do parque. A mais famosa é a Gruta Colorida, que ganhou o nome por causa das formações de calcário em tons de rosa e terra, coloridas pela argila e pelo óxido de ferro. Por dentro, ela tem labirintos e pequenos salões, e é preciso usar capacete com lanterna. Um pequeno riacho corre por dentro dela, e em alguns trechos a água chega perto do joelho, então vá com roupa que possa molhar.

Interior de gruta com rochas em tons de laranja e cinza e um capacete com lanterna em primeiro plano, numa caverna de Intervales
Dentro de uma das grutas do parque. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A trilha até a Gruta Colorida é considerada fácil, e a visita é feita com monitor ambiental, que fornece as orientações de segurança. Além dela, o parque tem outras cavidades, como a Gruta do Fendão.

Cachoeiras e trilhas

As cachoeiras de Intervales ficam no meio da mata, com poços de água clara e gelada. Uma das trilhas mais conhecidas liga a Cachoeira do Mirante à Gruta Colorida, juntando banho de cachoeira e caverna no mesmo passeio. Há também mirantes com vista para o Vale do Ribeira e áreas de floresta preservada a perder de vista.

O parque tem algumas trilhas autoguiadas, que podem ser feitas por conta própria, mas a maioria dos passeios exige acompanhamento de monitor ambiental. Os monitores conhecem cada trecho e ajudam a escolher o roteiro conforme o tempo e o preparo do grupo.

Quando ir a Intervales

O parque recebe visitantes o ano todo, e cada estação tem seu jeito. No verão, entre dezembro e março, chove mais, as cachoeiras ficam mais cheias e a mata mais verde, mas as trilhas podem ficar escorregadias e algumas grutas podem fechar por segurança depois de chuvas fortes. No inverno, o tempo costuma ser mais seco e as manhãs são frias, o que pede agasalho para as primeiras trilhas do dia.

Para observar aves, qualquer época funciona, mas a primavera, a partir de setembro, é quando muitas espécies ficam mais ativas e cantam mais. Feriados como o de 12 de outubro costumam ser bem procurados, então planeje com antecedência.

Ribeirão Grande: Casa Grande, Encanados e rojão

A cidade de Ribeirão Grande fica a cerca de 25 quilômetros da sede do parque e tem passeios que completam a viagem. Os Encanados são muros de pedra erguidos na beira dos rios na época da mineração de ouro. Hoje, os trechos de corredeira formados ali são usados para boia-cross e outros esportes de aventura.

Rio com corredeira de água clara entre pedras com musgo e um muro de pedras antigo na margem, nos Encanados de Ribeirão Grande
Os Encanados, em Ribeirão Grande. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

No centro fica a Casa Grande, uma construção de pau a pique do século 18 erguida por escravizados, considerada símbolo da fundação do município. Ela foi restaurada e está aberta à visitação, com acervo de objetos ligados aos tropeiros e à história da região.

Casa térrea de pau a pique com paredes de barro avermelhado, janelas verdes e telhado de telhas, com a placa Centro Cultural, em Ribeirão Grande
A Casa Grande, do século 18, em Ribeirão Grande. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Para comer, o prato típico é o rojão: carne de porco temperada e moldada num espeto de madeira, no formato de um rojão de fogos de artifício, e assada na brasa. A receita é feita na cidade há mais de 150 anos e é reconhecida como patrimônio imaterial de Ribeirão Grande.

Dois espetos de rojão, carne de porco assada enrolada em espeto de madeira, num prato branco, prato típico da região de Intervales
O rojão, prato típico de Ribeirão Grande. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Como visitar Intervales

O ingresso do parque é comprado só pela internet, no site da Fundação Florestal, e mesmo quem tem gratuidade precisa se cadastrar e emitir o ingresso antes de ir. Em feriados prolongados e férias, compre com antecedência.

Os horários da portaria e das grutas mudam conforme a época do ano, então confira no site antes de sair de casa. Para aproveitar de verdade, o ideal é ficar pelo menos duas noites: dá para se hospedar nas pousadas dentro do parque, que têm restaurante, ou em Ribeirão Grande. Leve tênis com boa aderência, roupa para molhar, repelente, capa de chuva e lanterna.

Quem quer continuar explorando cavernas pode seguir para o Vale do Ribeira, onde ficam a Caverna do Diabo e o PETAR, com a maior entrada de caverna do mundo.

Intervales junta gruta, cachoeira, aves e comida caipira num só destino, e é daqueles lugares que pedem pelo menos um fim de semana inteiro para conhecer.

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.