Caverna de 6 km em SP tem salões com colunas gigantes, passarelas e uma rocha em forma de caveira

Interior da Caverna do Diabo com teto de rocha, rio subterrâneo iluminado e passarelas de madeira com corrimão
Caverna do Diabo, em Eldorado. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

No Vale do Ribeira, em Eldorado, fica uma das cavernas mais bonitas do país. A Caverna do Diabo tem mais de 6 quilômetros de galerias conhecidas, e cerca de 600 metros estão abertos à visitação, com passarelas, escadas, corrimãos e iluminação artificial.

Por dentro, o visitante passa por salões enormes cheios de estalactites, estalagmites e colunas de calcário, entre elas o salão conhecido como Catedral. O passeio é feito com monitor, dura cerca de uma hora e passa por uma rocha em forma de caveira que ajuda a explicar o nome da caverna.

Estalactites e colunas iluminadas em tons dourados no teto da Caverna do Diabo, com silhuetas de formações escuras
Formações iluminadas na Caverna do Diabo. Foto: Picturesartbr / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Como é a visita à Caverna do Diabo

A Caverna do Diabo é a principal atração do Parque Estadual Caverna do Diabo e foi preparada para receber turistas de todas as idades. O trecho aberto tem estruturas que facilitam a caminhada e iluminação fraca de propósito, para não prejudicar as formações.

A visita é sempre acompanhada por um monitor ambiental local, contratado na associação de monitores de Eldorado, que funciona dentro do parque, ou em empresa de receptivo da cidade. Os grupos têm no máximo 12 pessoas por monitor, e não é permitido entrar de chinelo ou calçado aberto.

A Caverna do Diabo tem mais de 6 km de galerias, e cerca de 600 metros são abertos à visitação com passarelas e iluminação.

A Catedral e as formações da caverna

O salão mais impressionante é a Catedral, com colunas de calcário que chegam a cerca de 20 metros de altura. Ao longo do percurso aparecem cortinas de rocha, estalactites finas, travertinos e um rio subterrâneo, que forma uma queda chamada Garganta do Diabo.

Passarela com corrimão atravessando um salão da Caverna do Diabo cheio de estalactites e colunas iluminadas
Passarela entre as formações da Caverna do Diabo. Foto: Luan Alves Chaves / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

As formações levaram milhares de anos para crescer, gota a gota, com a água que atravessa o calcário. Por isso a regra é não tocar nas paredes nem nas colunas, e o monitor explica, ao longo do caminho, como cada formação cresceu.

Várias formações ganharam nomes, como o Guardião, a Branca de Neve, os Três Reis e o Caldeirão do Diabo. A mais famosa é uma rocha em forma de caveira, que recebe luz vermelha nas cavidades dos olhos, e é um dos momentos mais fotografados do passeio. A caveira e o brilho avermelhado ajudam a explicar o nome pelo qual a caverna ficou conhecida.

Teto de salão coberto de estalactites finas e pontudas que se espalham em todas as direções
O teto do salão da Catedral, na Caverna do Diabo. Foto: Valdiney Pimenta / Wikimedia Commons, CC BY 2.0 (recortada)

Horários e como visitar a Caverna do Diabo

O parque recebe visitantes de terça a domingo, das 8h às 17h, e abre também às segundas em feriados prolongados e férias escolares. Há ainda visitas noturnas, até as 20h30. É recomendado reservar o ingresso com antecedência pelo site oficial, mas também é possível comprar na portaria, e a taxa do monitor é paga à parte.

Crianças até 12 anos, idosos a partir de 60 anos e pessoas com deficiência têm gratuidade no ingresso. O parque tem centro de visitantes, estacionamento, banheiros e restaurantes, e é bom levar agasalho leve, porque o ar dentro da caverna é úmido e mais fresco.

A Caverna do Diabo abre de terça a domingo, das 8h às 17h, e a visita é sempre acompanhada por monitor.

De Gruta da Tapagem a Caverna do Diabo

O nome original da caverna era Gruta da Tapagem, e ela foi registrada no fim do século 19 pelo naturalista alemão Ricardo Krone, durante expedições científicas no Vale do Ribeira. Com o tempo, o apelido de Caverna do Diabo se tornou mais conhecido que o nome original.

A caverna fica na Serra de André Lopes e corresponde ao trecho subterrâneo de um rio que atravessa o maciço de calcário. O parque estadual onde ela está foi criado em 2008, com a divisão do antigo Parque Estadual de Jacupiranga, de 1969, e hoje tem mais de 40 mil hectares, espalhados pelos municípios de Eldorado, Iporanga, Cajati e Barra do Turvo. Ele faz parte de um mosaico de mais de uma dezena de unidades de conservação na região, e fica na chamada Província Espeleológica do Vale do Ribeira, uma das áreas com maior concentração de cavernas do país, onde a água escavou o calcário por milhões de anos.

A Queda do Meu Deus e outras atrações do parque

Além da caverna, o parque guarda uma das cachoeiras mais bonitas do estado. A Queda do Meu Deus tem 53 metros de altura e foi eleita a cachoeira mais bonita de São Paulo pelos telespectadores do programa Antena Paulista, da TV Globo. A água nasce numa área fechada e percorre cerca de 4 quilômetros por dentro da Caverna do Diabo antes de despencar na mata.

Queda d'água entre pedras e mata descendo para um poço de água verde-esmeralda
Cachoeira Queda do Meu Deus, em Eldorado. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O caminho mais curto até a queda é a Trilha do Jacaré, de dificuldade média, com cerca de 40 minutos a uma hora de caminhada, que passa por piscinas naturais de água cristalina e três quedas menores. Para quem quer mais aventura, a trilha do Vale das Ostras leva algumas horas e passa por várias outras cachoeiras e poços, sempre com monitor.

O parque tem ainda o Mirante do Governador e o Mirante do Cruzeiro, as cachoeiras do Araçá e do Sapatu e outras cavernas, como a do Rolado e a das Frias. A mata atlântica da região abriga onças, macacos e aves coloridas como a saíra-sete-cores, e a observação de aves é uma das atividades do parque.

Pássaro colorido de cabeça verde e corpo azul e verde pousado numa mureta de pedra diante da mata
Saíra-sete-cores no Parque Estadual Caverna do Diabo. Foto: Carlos Souto / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

O circuito quilombola de Eldorado

O parque faz divisa com comunidades quilombolas do Vale do Ribeira, como André Lopes, Ivaporunduva e Sapatu, que recebem visitantes num circuito de turismo de base comunitária. Ivaporunduva é apontada como a comunidade quilombola mais antiga do Vale do Ribeira, com mais de 400 anos de história.

No circuito, os visitantes conhecem a organização das comunidades, fazem trilhas até cachoeiras como a do Meu Deus e a do Sapatu, acompanham o preparo de comidas típicas e da farinha e assistem a manifestações tradicionais, como a dança Nhá Maruca e o pilão do arroz. É um jeito de conhecer o Vale do Ribeira além das cavernas, pela história das pessoas que vivem ali há séculos.

Na mesma região do Vale do Ribeira está o PETAR, com a maior entrada de caverna do mundo, em Iporanga, e dá para juntar os dois parques numa viagem pelo Vale do Ribeira.

Na Caverna do Diabo, as passarelas levam o visitante para dentro de salões que a água levou milhares de anos para esculpir.

Você teria coragem de passar pela caveira da Caverna do Diabo?

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