Parque de SP tem a maior entrada de caverna do mundo e um rio que corre para dentro da pedra

Entrada de uma caverna do PETAR, com estalactites e paredes de pedra cobertas de musgo sobre uma poça de água azulada
Entrada de uma caverna no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR). Foto: Thomas Fuhrmann / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, o PETAR, no sul do estado de São Paulo, guarda a Casa de Pedra, cujo portal de 215 metros de altura é, segundo o Guinness, a maior entrada de caverna do mundo. O parque tem 35.712 hectares entre Apiaí e Iporanga, cavernas com rio dentro, cachoeiras e Mata Atlântica, e é Patrimônio Mundial da UNESCO.

Entre as atrações estão a Caverna de Santana, com passarelas de madeira e formações de pedra, e a Trilha do Betari, que junta cavernas e cachoeiras no mesmo caminho na mata. O parque reúne uma das maiores concentrações de cavernas do mundo, com mais de 300 cavernas, segundo o Petar Online.

Casa de Pedra, o maior portal de caverna do mundo

O Portal da Casa de Pedra tem 215 metros de altura, segundo o guia oficial de áreas protegidas de São Paulo, e é reconhecido pelo Guinness como a maior boca de caverna do mundo. Perto da entrada, o Rio Maximiano forma uma piscina natural e uma cachoeira que corre para dentro da caverna.

A trilha até o portal tem de 4 a 5 quilômetros, segundo o guia oficial, e leva cerca de três horas, em meio à Mata Atlântica. O interior da caverna não pode ser visitado por segurança, e o passeio é feito só até o portal, com guia local. O visitante vê a gigantesca abertura de pedra do lado de fora.

Água correndo entre pedras grandes cobertas de musgo em um trecho de mata, no Núcleo Casa de Pedra

O portal da Casa de Pedra, no PETAR, tem 215 metros de altura.

Caverna de Santana, o rio dentro da pedra

A Caverna de Santana é uma das maiores do estado de São Paulo, com 8.373 metros de projeção horizontal e 61 metros de desnível, segundo a Wikipédia. Só um trecho de 495 metros é aberto ao público, com entrada e saída no mesmo lugar, segundo o site Viagens e Caminhos. A visita passa ao nível do lençol de água, ao longo do Rio Roncador, e por uma galeria superior.

Lago de água verde dentro da Caverna de Santana, com estalactites e paredes de pedra iluminadas ao fundo

Nessa galeria aparecem estalactites, estalagmites, cortinas, represas de travertino e helictites, formações de pedra criadas pela água ao longo de milhares de anos. O percurso tem passarelas de madeira, corrimãos, escadas e degraus de cimento sobre a rocha. A caverna tem o Salão das Flores, com milhares de formações de aragonita. Ela foi documentada no início dos anos 1900 pelo naturalista alemão Richard Krone e se chamava Caverna do Rio Roncador, pelo som do rio.

Visitante de capacete de costas diante de um teto cheio de estalactites douradas na Caverna de Santana

Trilha do Betari: cavernas e cachoeiras

O Rio Betari é a base do relevo na região da Caverna de Santana. A Trilha do Betari tem cerca de 3,6 quilômetros e liga o centro de visitantes às cavernas Água Suja e Cafezal, segundo o Wikivoyage. Pelo Núcleo Santana chega-se ainda às cavernas do Couto e do Morro Preto. A do Couto tem 471 metros e uma cachoeira ao lado, e a do Morro Preto tem um dos portais mais bonitos do parque, com 15 metros de altura, cerca de 830 metros de extensão e 61 metros de desnível. A Caverna Temimina reúne três cavernas entre salões e portais gigantes, com um espeleotema raro chamado chuveiro, que forma um teto de gotas. A Água Suja tem 2.985 metros de galerias, com grandes salões, um rio que a atravessa e uma cachoeira subterrânea, e a do Cafezal é uma das poucas cavernas secas abertas ao público, com conchas calcificadas e aragonita. As cavernas ficam em rocha calcária, que a água dissolveu ao longo do tempo.

Entre as quedas d’água do parque estão as cachoeiras do Couto, das Andorinhas, Betarizinho e Beija-flor, segundo o Wikivoyage e a Wikipédia, e um trecho de 2 quilômetros do Rio Betari é usado para boia-cross, passeio de boia pelo rio.

Cachoeira estreita e alta caindo entre paredes cobertas de musgo e mata, no Vale do Betari
Cachoeira das Andorinhas, no Vale do Betari, no PETAR. Foto: Maria Cristina Boscolo / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (recortada

A Caverna de Ouro Grosso, no núcleo de mesmo nome, é apontada como uma das mais verticais da região, formada por uma sequência de quedas e poços. Outra área de água e pedra no interior paulista é a cachoeira do Saltão, em Itirapina.

Os núcleos do parque

Doze cavernas do parque podem ser visitadas com guias credenciados, segundo o site Viagens e Caminhos. O PETAR tem quatro núcleos de visitação, segundo a Wikipédia: Santana, Ouro Grosso, Caboclos e Casa de Pedra. Santana e Ouro Grosso são os mais visitados. O guia oficial cita ainda o Núcleo Areado, com destaque para a observação de fauna e de aves, e o registro de 30 espécies de anfíbios e 8 de répteis.

Cachoeira baixa caindo em um poço de água azul-esverdeada entre rochas cobertas de musgo e mata
Quedas d’água no Rio Betari, no PETAR. Foto: Rodrigo Albertini / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

O parque oferece espeleoturismo, rapel, escalada e rafting, segundo a Wikipédia. Iporanga é a cidade mais próxima e sede de agências e de guias da região, e mantém mais de 90% de cobertura de Mata Atlântica, segundo o Petar Online. Em 2026, o Vale do Ribeira e o PETAR ganharam destaque na ITB Berlim, uma das maiores feiras de turismo do mundo.

Fauna, fósseis e um parque de 1958

O PETAR foi criado em 19 de maio de 1958 e tem 35.712 hectares. Foi reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO em 1999, como parte das Reservas de Mata Atlântica do Sudeste. O parque tem 319 espécies de aves, 23 de mamíferos de médio e grande porte, 91 de pequenos mamíferos, 65 de anfíbios e 32 de répteis.

O PETAR abriga 319 espécies de aves e fósseis de preguiças-gigantes e morcegos-vampiros extintos.

Nas cavernas já foram achados fósseis de preguiças-gigantes e de morcegos-vampiros extintos. A Mata Atlântica do parque é o bioma de aves como a araponga, de canto metálico.

Araponga, ave branca de pescoço verde-azulado, cantando em um galho seco, com fundo verde desfocado
 A araponga (Procnias nudicollis), ave típica da Mata Atlântica, bioma do PETAR. Foto: Clodomiro Esteves Junior / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Outro lugar do interior paulista onde a água revela segredos da natureza é a nascente da Areia que Canta, em Brotas.

O PETAR é um lugar real, com trilhas, rios e cavernas para conhecer com calma, em uma das maiores áreas de Mata Atlântica preservada do país.

Você já visitou alguma caverna no interior de São Paulo?

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