Rifaina tem paredão no Rio Grande para mergulhar entre cardumes, cidade antiga submersa e praia de 1,5 km

Paredão do Estreito, em Rifaina, encosta de pedra coberta de vegetação verde refletida na água calma do Rio Grande
O Paredão do Estreito, ponto de mergulho no Rio Grande. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Debaixo das águas calmas do lago de Rifaina estão casas, olarias, pontes e trilhos de trem. É a parte baixa da cidade antiga, que ficou submersa quando o Rio Grande foi represado, e hoje atrai mergulhadores de vários cantos do país até esse pedaço do interior paulista, na divisa com Minas Gerais.

Na superfície, a cidade virou um polo náutico, com praia de água doce, centenas de ranchos à beira d’água e um paredão de pedra onde os cardumes nadam entre os mergulhadores.

Mergulho entre cardumes e a cidade submersa de Rifaina

O Lago de Jaguara, formado pela usina hidrelétrica de mesmo nome, tem 33 quilômetros quadrados de água limpa. Quando ele encheu, no início dos anos 1970, a parte mais baixa de Rifaina ficou submersa. As construções continuam lá embaixo, e os mergulhos chegam a cerca de 50 metros de profundidade.

Água verde e transparente do Lago de Jaguara refletindo a mata da margem
A água clara do Lago de Jaguara. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A transparência da água também favorece o mergulho de observação. Perto da Ilha do Amor, a profundidade varia de 5 a 40 metros e dá para nadar entre cardumes de mandis. A água costuma ficar mais clara no período seco, do outono à primavera.

Rifaina tem parte da cidade antiga submersa no Lago de Jaguara, com casas, pontes e trilhos a até 50 metros de profundidade.

Da estação da Mogiana à represa

A história de Rifaina começa bem antes do lago. O povoado nasceu do antigo Arraial do Cervo e tem como data oficial de fundação 13 de maio de 1865. Em 1873 virou a paróquia de Santo Antônio da Rifaina, e no fim do século 19 a chegada da estação da Companhia Mogiana trouxe o progresso para a beira do Rio Grande.

A cidade se emancipou em 1948 e viveu à margem do rio até a construção da usina de Jaguara. Quando o reservatório encheu, as casas e os trilhos da parte baixa ficaram debaixo d’água, e Rifaina se reorganizou em volta do novo lago, que acabou virando a sua principal atração.

O Paredão do Estreito

A meia hora de barco da praia, o Paredão do Estreito é um dos cenários mais bonitos de Rifaina. A parede de pedra desce direto para dentro do lago, e o ponto é procurado por quem mergulha para ver os cardumes de perto.

É na mesma represa, já do lado de Pedregulho, que fica a Cachoeira do Estreito, uma queda que despenca de um cânion direto no lago e pode ser vista em passeios de barco pela região.

A praia de 1,5 km de Rifaina

A Praia de Rifaina é uma praia artificial de água doce com 1,5 quilômetro de areia às margens do Rio Grande, com píer, quiosques, academia ao ar livre e espaço para banho. Nos fins de semana e feriados, ela fica cheia de famílias, e o lago se enche de lanchas, jet skis, caiaques e pranchas de stand up.

Píer flutuante de madeira com pneus, lanchas e a serra ao fundo do lago
O píer da Praia de Rifaina. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Em volta do lago há mais de 400 ranchos de veraneio, muitos para alugar em feriados e férias, além de marinas com mais de mil embarcações. A Ilha do Amor, no meio da represa, tem estrutura para acampar.

Ranchos de veraneio à beira do lago, com píer, lancha atracada e casa entre palmeiras
Ranchos de veraneio às margens da represa. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Na beira da água, o Teatro de Arena, de tijolos à vista, recebe apresentações com o lago ao fundo.

Teatro de arena de tijolos à vista com arcos, à beira do lago
O Teatro de Arena, de frente para a represa. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Cachoeiras, trilhas e a traíra sem espinha

Fora da água, Rifaina tem trilhas no cerrado e na mata, cachoeiras escondidas na zona rural, a Gruta dos Palhares e o Mirante do Bálsamo, com vista do lago. Como muitos caminhos não têm sinalização, o ideal é ir com guia ou agência local.

Vista aérea de uma pequena cachoeira escondida num capão de mata entre pastos verdes, na zona rural de Rifaina
Cachoeira na zona rural de Rifaina. Foto: Ernani Baraldi, Wikimedia Commons, CC BY 2.0 (recortada)

À noite, o Cruzeiro da Estação, iluminado, pode ser visto de quase toda a cidade. E na hora de comer, o prato típico é a traíra desossada: o peixe chega à mesa sem a espinha dorsal e sem os espinhos, com várias guarnições. O prato aparece no cardápio de vários restaurantes da cidade e combina com um almoço demorado de frente para o lago, depois de uma manhã de praia ou de barco.

Prato de traíra desossada frita com batata frita, salada, arroz e ovos cozidos, servido em Rifaina
A traíra desossada, prato típico da cidade. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O centro e as festas

No centro, a Praça 24 de Dezembro é uma das mais antigas da cidade, tem fonte luminosa e abriga o Centro de Informações ao Turista, bom lugar para pegar indicações de passeios de barco e guias. Perto dali, a Casa de Cultura Rui Reis reúne biblioteca, sala de cinema com 75 lugares, conservatório musical e oficinas de arte.

Para quem gosta de natureza sem sair da cidade, o Parque Ecológico Geraldo Jorge é ponto de observação de aves. E o calendário de Rifaina tem rodeio, festas tradicionais e eventos náuticos ao longo do ano, que atraem visitantes de toda a região do Rio Grande.

Como chegar a Rifaina

Rifaina fica a cerca de 470 quilômetros de São Paulo, no nordeste do estado. O acesso principal é pela Rodovia Cândido Portinari, a SP-334, que passa por Franca, a cerca de 70 quilômetros dali. O último trecho desce a Serra de Rifaina, com curvas, então vale dirigir com calma, principalmente à noite e em dia de chuva. Do outro lado do rio, a MG-428 liga a cidade a Minas Gerais.

Dicas para visitar Rifaina

Rifaina é Município de Interesse Turístico desde 2017 e tem clima quente o ano todo, com inverno seco. Para mergulhar na cidade submersa ou no paredão, procure uma operadora credenciada, que leva o equipamento e conhece os pontos seguros. Quem não mergulha pode ver a paisagem num passeio de barco.

Dá para combinar a viagem com o Parque Estadual Furnas do Bom Jesus, em Pedregulho, a poucos quilômetros dali. Reserve ranchos e pousadas com antecedência nos feriados, quando a cidade lota. O verão é a época da praia cheia e dos esportes náuticos, e o período seco, do outono à primavera, é o preferido de quem quer mergulhar.

Uma cidade antiga no fundo do lago, cardumes ao redor do paredão e uma praia de areia longe do mar: Rifaina é o tipo de surpresa que só o interior paulista guarda.

Você teria coragem de mergulhar até a cidade submersa?

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.