Quem passa por Pedreira dificilmente volta de mãos vazias. A cidade da Região Metropolitana de Campinas, entre Amparo e Jaguariúna, ficou conhecida em todo o país como a capital da porcelana, e o centro é tomado por centenas de lojas de louça, porcelana, vidro, decoração, cama, mesa e banho. É programa certo para quem está montando casa ou procurando presente.
Mas Pedreira vai além das compras. A cidade tem uma estação de trem de 1875, um museu que conta a história da porcelana, mirantes com via-sacra e painéis de azulejo, igrejas cheias de história e um bosque com bichos para as crianças. Faz parte do Circuito das Águas Paulista e combina com um fim de semana pela região.
A capital da porcelana
A tradição começou no início do século 20, quando a economia do café entrou em crise. Descendentes de italianos, os irmãos Angelo e Antonio Rizzi abriram em Pedreira a primeira fábrica de louças da cidade, a Santa Rita, e com a ajuda de ceramistas e técnicos também italianos deram início à produção de porcelana. Outras fábricas vieram depois, e a cidade virou um dos maiores polos de porcelana do país. Em 2013, Pedreira comemorou os 100 anos da porcelana.

Hoje o comércio é o motor do turismo. As lojas se espalham pelo centro, com peças de porcelana, louça, vidro, alumínio, madeira, gesso e resina, de pratos e jogos de jantar a vasos, objetos de decoração e lembrancinhas. A variedade atrai tanto quem compra uma peça só quanto quem vai encher o porta-malas.
Para aproveitar melhor, vale chegar cedo, levar uma lista do que procura e comparar preços entre as lojas antes de fechar as compras. Leve também caixas ou jornal para proteger as compras na volta, se a loja não embalar.
Pedreira é conhecida como a capital da porcelana e tem centenas de lojas de louça, porcelana e decoração.
O Museu Histórico e da Porcelana
Para entender como tudo começou, o passeio é o Museu Histórico e da Porcelana de Pedreira, instalado num sobrado do fim do século 19 na Praça Coronel João Pedro, no centro. O acervo reúne fotografias, objetos da ferrovia, peças da imigração italiana e uma mini fábrica que mostra como a porcelana é feita.

A entrada é gratuita. O prédio original passou por reforma, e nesse período parte do acervo foi exposta em outro endereço do centro, então vale confirmar no posto de informação turística, na antiga estação, onde o museu está recebendo visitantes.
A estação da Mogiana, de 1875
A Praça Coronel João Pedro é considerada o marco inicial de Pedreira. Em volta dela ficam as construções mais antigas, como o sobrado do museu, a casa que abrigou o primeiro hotel da cidade e a antiga estação de trem da Companhia Mogiana, inaugurada em novembro de 1875. Foi em torno dela que a cidade cresceu, primeiro com o café e depois com a porcelana. O povoado virou município em 1896, e em 2026 Pedreira completa 130 anos de emancipação.

Os trilhos foram desativados em 1967, e a estação amarela, restaurada, hoje funciona como posto de informação turística. Nos fins de semana e feriados, ela recebe uma feira de arte e artesanato, boa para quem quer levar peças feitas à mão além da porcelana de fábrica.
Morro do Cristo e Morro de Maria, os mirantes de Pedreira
Para ver Pedreira do alto, o destino é o Complexo Turístico do Morro do Cristo. O acesso ao morro foi aberto em 1932 por soldados da Revolução Constitucionalista, e a partir dos anos 1980 o lugar ganhou as estações da via-sacra, que sobem até o alto, onde a vista alcança toda a cidade e os morros em volta.

O complexo tem ainda a praça Nossa Senhora Aparecida, um monumento à Revolução Constitucionalista e painéis de azulejos pintados por artistas da cidade. É ali que acontece a tradicional encenação da vida de Cristo, que reúne milhares de pessoas.
Ainda no centro, a Praça Ângelo Ferrari é um respiro entre as lojas, com árvores enormes e monumentos que contam a trajetória da cidade. E o Morro de Maria, inaugurado nos festejos de 110 anos da cidade, também tem vista bonita e painéis de azulejo que retratam os Mistérios do Rosário.
Igrejas, rio e bosque
A Igreja Matriz de Sant’Ana, construída na virada do século 19 para o 20 em estilo neogótico, tem vitrais com passagens bíblicas e a Capela do Santíssimo pintada.

Já a Igreja de Santa Rita de Cássia, de 1957, faz parte da antiga vila operária criada por uma fábrica de vidros da cidade e recebe uma procissão concorrida no mês de maio.

À beira do rio Jaguari, o Boulevard, acessado por uma ponte pênsil, é um espaço verde para caminhar, pedalar e ver o rio. E, para as crianças, o Zoo Bosque Municipal ocupa 33 mil metros quadrados de mata nativa, com animais, aves, playground e quiosques. Ele abre de quarta a domingo, das 9h às 16h, com entrada até as 15h, e é um bom intervalo entre uma loja e outra para quem viaja com crianças.
Dicas para visitar Pedreira
O ideal é ir de carro, para facilitar o transporte das compras. Nos fins de semana, a estação tem feira de artesanato e o centro costuma ficar mais cheio, então chegue cedo para estacionar. Separe a manhã para as lojas e a tarde para o museu, a estação e o Morro do Cristo.
Pedreira fica perto de outros destinos que já mostramos, como a Maria Fumaça entre Campinas e Jaguariúna e Socorro, a cidade da aventura no Circuito das Águas.
Em Pedreira, a porcelana é só o começo: a cidade tem história nos trilhos, nos morros e nas igrejas para quem quiser ir além das vitrines.
O que você compraria numa viagem a Pedreira?




