Embu das Artes tem feira de arte desde 1969, igreja jesuíta tombada em 1938 e abelha gigante

Loja de móveis rústicos e antiguidades em Embu das Artes, com cômodas de madeira, quadros coloridos, vasos e lustres de cristal
Loja do Polo Moveleiro de Embu das Artes. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Colada à capital paulista, Embu das Artes tem nome de cidade de artista, e faz jus a ele. Todo fim de semana, as ruas de pedra do centro histórico viram uma grande feira de arte e artesanato, que acontece desde 1969 e recebe cerca de 1 milhão de visitantes por ano. Em volta dela há ateliês, lojas de móveis rústicos e uma igreja jesuíta erguida por volta de 1700.

A cidade nasceu de um aldeamento indígena dos jesuítas e, a partir dos anos 1960, virou refúgio de artistas. Hoje é um passeio de bate-volta para quem quer garimpar peças de decoração, comer bem e conhecer um dos conjuntos coloniais mais antigos do estado, e ainda tem um parque de abelhas para as crianças.

A Feira de Artes de Embu das Artes, desde 1969

O principal programa de Embu das Artes é a Feira de Artes, que ocupa as ruas do centro histórico aos sábados, domingos e feriados. Centenas de expositores vendem artesanato, pinturas, esculturas, peças em madeira e cerâmica, objetos de decoração e antiguidades, e o movimento é maior aos domingos e feriados.

Rua de pedra com lojas coloridas e peças de artesanato expostas na calçada, cheia de visitantes, durante a feira de Embu das Artes
A Feira de Artes, no centro histórico de Embu das Artes. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Entre as barracas há doces caseiros, flores ornamentais, bares e restaurantes, e a praça de alimentação reúne de comida mineira a pratos alemães e japoneses. A feira existe desde 1969, quando o lugar já tinha virado ponto de encontro de artistas, e é ela que explica o “das Artes” no nome da cidade. Até 2011, o município se chamava só Embu. Naquele ano, um plebiscito aprovou o novo nome, com cerca de dois terços dos votos, e uma lei estadual oficializou a mudança, que também ajudou a diferenciar a cidade da vizinha Embu-Guaçu.

A Feira de Artes de Embu das Artes acontece aos sábados, domingos e feriados desde 1969 e recebe cerca de 1 milhão de visitantes por ano.

A igreja jesuíta e o Museu de Arte Sacra

No centro histórico fica o conjunto da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e da antiga residência dos jesuítas. A história começa no aldeamento indígena de M’Boy, que o padre Belchior de Pontes transferiu para o lugar atual por volta de 1690. A igreja começou a ser construída por volta de 1700, e o conjunto foi tombado pelo Iphan em 1938, um dos primeiros tombamentos do estado de São Paulo.

Fachada branca da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, com janelas azuis, telhado de telhas e cruz no alto
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário, sede do Museu de Arte Sacra dos Jesuítas. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Hoje o conjunto abriga o Museu de Arte Sacra dos Jesuítas, com um acervo de obras feitas entre os séculos 17 e 20: altares de talha dourada e pintada, imagens de santos, móveis e peças de arte barroca. A simplicidade da fachada branca de janelas azuis contrasta com a riqueza dos altares lá dentro.

Altar-mor e altares laterais de talha dourada e pintada, com imagens de santos, no interior da igreja jesuíta de Embu das Artes
Os altares barrocos do Museu de Arte Sacra dos Jesuítas. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O museu abre de terça a domingo, das 9h às 12h e das 13h às 17h, e fica no Largo dos Jesuítas, no centro histórico, perto das barracas da feira, o que facilita encaixar a visita no passeio.

Artesanato, móveis rústicos e ateliês em Embu das Artes

A fama de cidade das artes começou nos anos 1960, quando artistas como o poeta Solano Trindade, ligado à cultura afro-brasileira, e o artista Mestre Assis montaram ateliês em Embu. Hoje o Centro Cultural Mestre Assis tem salas de exposição e programação cultural gratuita.

 Loja cheia de artesanato colorido, com mensageiros do vento pendurados no teto e peças sobre as mesas, na Casa do Artesão
A Casa do Artesão. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Para comprar artesanato da região fora das barracas, a Casa do Artesão reúne milhares de peças de artesãos locais, de todos os preços. E quem procura móveis encontra no Polo Moveleiro muitas lojas de móveis rústicos e antiguidades, com opções para o quarto, a sala e o jardim. Mesmo sem comprar nada, as lojas valem a visita pela decoração.

Outro endereço que surpreende é o complexo dos Arautos do Evangelho, com cerca de 40 mil metros quadrados e uma igreja de arquitetura cheia de detalhes, que chama a atenção de quem passa pela cidade.

O Memorial Sakai guarda o acervo do artista japonês Tadakiyo Sakai, com peças de cerâmica, e o espaço inclui a Capela de Santa Cruz e o Cruzeiro da Paz, com um pátio que recebe eventos.

Galeria com paredes brancas e painéis expondo peças de cerâmica de Tadakiyo Sakai, sob telhado de estrutura metálica
O Memorial Sakai. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Cidade das Abelhas, para as crianças

Para quem vai com crianças, a Cidade das Abelhas é um parque temático numa área de preservação ambiental, todo dedicado a esses insetos. Tem uma abelha gigante mecatrônica, um labirinto, um túnel que mostra o corpo da abelha por dentro, a casa da abelha, um apiário de verdade, balanço e trilha com dinossauros. Na Casa do Mel, dá para comprar mel e outros produtos.

Caixas de colmeia coloridas espalhadas por uma encosta de mata, com placa explicativa em primeiro plano, na Cidade das Abelhas
O apiário da Cidade das Abelhas, em Embu das Artes. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

As atrações são pensadas para crianças de 3 a 10 anos, e o parque abre de terça a domingo, das 10h às 16h, com cobrança de ingresso. Outros passeios para o feriado estão no nosso guia do Dia das Crianças no interior de SP.

Na cidade há ainda o Parque do Lago Francisco Rizzo, com 217 mil metros quadrados de área verde, pista de caminhada e brinquedoteca, bom para um piquenique de graça.

Dicas para visitar Embu das Artes

Embu das Artes fica na região metropolitana, a sudoeste da capital, e o acesso mais comum é pela Rodovia Régis Bittencourt, a BR-116. Em dias de feira, o trânsito perto do centro aumenta no fim da manhã.

O melhor dia para ir é domingo, quando a feira está mais cheia e o museu também abre. Vá cedo para estacionar perto do centro histórico e use calçado confortável, porque as ruas do centro são de pedra. Se a ideia é comprar móveis, vale medir os espaços de casa antes e perguntar sobre entrega.

Quem gosta de cidades históricas perto da capital pode completar o roteiro com Santana de Parnaíba, que tem mais de 200 construções antigas tombadas no centro histórico.

Embu das Artes junta arte, história e passeio de família num só fim de semana, e dificilmente alguém volta de lá de mãos vazias.

O que você traria da feira de Embu das Artes para casa?

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.