Piracicaba tem engenho de 1881, rua do peixe no tambor e bairros tiroleses com polenta e vinho

Corredeiras do rio Piracicaba sobre pedras, com os prédios de tijolo do Engenho Central e a passarela pênsil ao fundo
O rio Piracicaba, o Engenho Central e a passarela pênsil. Foto: San Martins Silva / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Piracicaba, no interior paulista, tem o nome ligado ao rio que corta a cidade. Em tupi, a palavra significa lugar onde o peixe para, uma referência ao salto do rio, onde os peixes não conseguiam subir. Fundada em 1767, a cidade vive de frente para a água: na margem, ficam a Rua do Porto, com restaurantes de peixe no tambor, e o Engenho Central, uma antiga usina de açúcar de 1881 que virou parque e centro cultural.

Quase tudo fica perto do rio e pode ser feito a pé, num dia de passeio: o salto, a passarela sobre a água, o engenho, o Museu da Água e os casarões. Com mais tempo, vale reservar uma tarde para os bairros de Santana e Santa Olímpia, fundados por imigrantes tiroleses e famosos pela polenta.

O rio Piracicaba e o salto que deu nome à cidade

O ponto de partida é o próprio rio. No trecho central da cidade, a água desce em corredeiras sobre as pedras, formando o salto que deu origem ao nome Piracicaba. Durante a piracema, período de reprodução dos peixes, que vai de novembro a fevereiro, os cardumes sobem o rio, e o salto volta a ser o lugar onde o peixe para, como diz o nome.

Vista do alto do rio Piracicaba com corredeiras e mata nas margens, e prédios da cidade ao fundo
O rio Piracicaba e a cidade vistos do alto. Foto: Ana Paula Hirama / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (recortada)

Bem ao lado do salto fica o Museu da Água, um dos passeios gratuitos mais agradáveis da cidade. Ele ocupa a antiga estação de captação de água de 1887, uma das primeiras do interior paulista, numa área de 12 mil metros quadrados à beira do rio. O prédio conserva arcos, pisos e paredes de pedra, aquedutos centenários e antigos canos de ferro, e o jardim é um bom ponto para ver as corredeiras de perto.

Na mesma margem, ao lado da ponte, fica o Elevador Turístico Alto do Mirante, uma torre de 24 metros inaugurada em 2013, com vista para o salto e o Engenho Central. O elevador está parado desde abril de 2026, depois de um furto de fiação, e a prefeitura ainda não divulgou a data de reabertura, então vale conferir antes de ir.

A Rua do Porto e o peixe no tambor

A Rua do Porto é o endereço mais tradicional de Piracicaba. É uma rua de casinhas coloridas na margem do rio, com bares e restaurantes que servem o prato típico da cidade, o peixe assado no tambor. Nos fins de semana, há também feira de artesanato.

Cozinheiro sorridente de avental servindo peixes assados numa grelha grande em restaurante da Rua do Porto
Peixe assado na Rua do Porto. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

No tambor, o peixe de rio assa devagar e chega à mesa dourado. O prato costuma ser servido para dividir, com acompanhamentos, e é o motivo de muita gente atravessar o estado só para almoçar na beira do rio.

No mesmo trecho ficam o Largo dos Pescadores, antigo ponto de embarque de cargas, e a Casa do Povoador, construção do século 19 em pau a pique, tombada pelo estado, que hoje funciona como galeria de arte. Ao longo da margem há ainda o Parque da Rua do Porto e o Casarão do Turismo, onde os visitantes pegam informações sobre a cidade.

Casa térrea branca de estrutura de madeira aparente e janelas vermelhas, a Casa do Povoador
A Casa do Povoador, construção do século 19 em pau a pique. Foto: Wagjorge / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Na Rua do Porto, em Piracicaba, os restaurantes servem o peixe assado no tambor, prato típico da cidade.

O Engenho Central de Piracicaba, de 1881

Do outro lado do rio fica o Engenho Central, fundado em 1881 pelo Barão de Rezende para modernizar a produção de açúcar, com máquinas trazidas da França. A usina funcionou até 1974. Os prédios de tijolos aparentes, com chaminé e janelas em arco, abrigavam moendas, caldeiras e armazéns de açúcar e álcool.

Prédio alto de tijolos aparentes com muitas janelas em arco, um dos armazéns do Engenho Central de Piracicaba
Um dos prédios do Engenho Central, fundado em 1881. Foto: Helder Prado / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Hoje o conjunto é tombado pelo município e pelo Condephaat e ocupa um parque de mais de 85 mil metros quadrados, com entrada gratuita e aberto todos os dias, das 6h às 22h. Os gramados à beira do rio recebem famílias para piqueniques e passeios nos fins de semana. Os antigos armazéns recebem o Teatro Municipal Erotídes de Campos, a pinacoteca e eventos como o Salão Internacional de Humor de Piracicaba, realizado há mais de 50 anos, a Festa das Nações e a encenação da Paixão de Cristo.

Para chegar ao Engenho a partir da Rua do Porto, dá para atravessar o rio a pé pela passarela pênsil, de 103 metros, inaugurada em 1992 e inspirada em pontes como a Golden Gate. A travessia é um dos passeios mais bonitos da cidade, com as corredeiras passando embaixo, e à noite a passarela e os prédios do Engenho ficam iluminados.

O Engenho Central de Piracicaba foi fundado em 1881, funcionou até 1974 e hoje é um parque cultural gratuito.

Santana e Santa Olímpia, os bairros tiroleses de Piracicaba

Na zona rural de Piracicaba, dois bairros vizinhos guardam um pedaço do norte da Itália. Santana e Santa Olímpia foram fundados entre 1892 e 1893 por imigrantes tiroleses de língua italiana, os trentinos, vindos do vale do rio Ádige, numa região que na época pertencia ao Império Austro-Húngaro. Até hoje os moradores mais velhos conversam no dialeto trentino.

O passeio é caminhar pelas ruas tranquilas, ver a igreja de Santa Olímpia, inspirada nas igrejas de montanha do Tirol, e a escadaria de 1945 usada na Via Sacra, e sentar para comer. Os bairros têm cafés coloniais e restaurantes de comida típica, com polenta, embutidos artesanais, pães, queijos e vinhos feitos pelas famílias da colônia.

Igreja de pedra com torre do relógio e chafariz na frente, num dos bairros tiroleses de Santana e Santa Olímpia
Os bairros tiroleses de Santana e Santa Olímpia, em Piracicaba. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O ponto alto do ano é a Festa da Polenta de Santa Olímpia, realizada sempre no último fim de semana de julho, que recebe mais de 15 mil visitantes em três dias, com comida típica, danças tirolesas, corais e bandas. Santana também tem a sua Festa do Vinho.

A pamonha de Piracicaba

Piracicaba ficou conhecida em todo o país também pela pamonha, anunciada por carros de som nas ruas de muitas cidades com o bordão da pamonha de Piracicaba. Na Rua do Porto e em quiosques da cidade, ainda é fácil encontrar pamonha e outros quitutes de milho, e muitos visitantes voltam para casa com uma sacola delas.

O campus da Esalq, um parque de 915 hectares

Outro passeio gratuito é o campus da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, a Esalq, fundada em 1901 e hoje parte da Universidade de São Paulo. O campus ocupa 915 hectares na área urbana de Piracicaba e fica aberto à visitação em dias úteis.

O parque do campus foi desenhado em 1907 pelo paisagista belga Arsène Puttemans, no estilo inglês, com alamedas de árvores, lagos e árvores centenárias. Entre os pontos mais visitados estão o Pavilhão Central, o Bosque dos Italianos e o Museu Luiz de Queiroz, que conta a história da escola e tem entrada gratuita, de segunda a sexta.

Prédio central amarelo da Esalq refletido num espelho d'água entre gramados, palmeiras e árvores
O Pavilhão Central da Esalq, em Piracicaba. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Outros passeios de rio no interior paulista são a eclusa de Barra Bonita, no Tietê, e a cidade de Águas de São Pedro, na mesma região.

Em Piracicaba, o rio, o peixe e o açúcar contam a história do lugar: dá para passar um dia inteiro sem se afastar da margem e guardar o dia seguinte para a polenta dos bairros tiroleses.

Você já comeu peixe no tambor na Rua do Porto?

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